Unctad: Brasil é 2º país onde investimento estrangeiro mais cresce

JB Online

NOVA YORK - O Brasil é o segundo país do mundo onde o investimento estrangeiro direto mais cresceu no ano passado, de acordo com balanço da Unctad, órgão das Nações Unidas para o desenvolvimento, divulgado nesta terça-feira pelo site da BBC Brasil.

O volume líquido de investimento direto recebido pelo país deve dobrar (alta de 99,3%) em relação ao ano anterior e chegar a US$ 37,4 bilhões. A previsão supera a avaliação do Banco Central, segundo a qual o volume total do ano deve chegar a US$ 35 bilhões.

Os dados até novembro mostram um total acumulado de US$ 33,37 bilhões. De acordo com os economistas da Unctad, a maior parte dos investimentos recebidos pelo Brasil destinam-se a aumentar a produção industrial.

O país onde o investimento estrangeiro mais cresceu foi a Holanda, onde a entrada de capital externo passou de US$ 4 bilhões, em 2006, para US$ 104,2 bilhões no ano passado, uma variação de 2.285%. Neste caso, a diferença é quase toda explicada pela venda do ABN-Amro (holandês) para o espanhol Santander, por US$ 98,5 bilhões.

Na América Latina e Caribe, os investimentos estrangeiros somaram US$ 125,8 bilhões no ano ano passado, segundo a Unctad, um crescimento de 50% em relação ao ano anterior, com novos investimentos e expansão da produção de empresas já instaladas.

Também praticamente dobraram o volume de recursos estrangeiros direitos recebidos pelo México (alta de 92,9%) e o Chile (92,2%), enquanto na Argentina houve uma redução de 39,6% e na Colômbia um crescimento de 30%.

O volume total de investimento estrangeiro no mundo chegou ao montante recorde de US$ 1,5 trilhão. O país que mais recebeu recursos foi os Estados Unidos, com um volume de US$ 192,9 bilhões e crescimento de 10% sobre o ano anterior.

De acordo com os economistas da Unctad, a depreciação do dólar ajudou a manter o país atraente para o investimento estrangeiro, mesmo com a desaceleração do ritmo de crescimento da economia americana.

Estes recursos, por sua vez, ajudaram a reduzir os efeitos da crise dos créditos imobiliários na capacidade de empréstimos dos bancos.

Mas a organização alerta que a probabilidade cada vez maior de uma recessão nos Estados Unidos e a incerteza sobre suas repercussões podem levar a uma atitude de maior cautela por parte dos investidores.

O segundo país com maior volume de investimentos foi o Reino Unido, que recebeu no ano passado um total estimado de US$ 171,1 bilhões, 22,6% mais do que no ano anterior. A China recebeu 3% menos investimentos do que no ano anterior, um total de US$ 67,3 bilhões.