Ásia está melhor preparada para resistir à crises

SÃO PAULO, 28 de dezembro de 2007 - Dez anos após a "semana negra" que abalou os mercados da Ásia, as bolsas do continente seguem influenciadas pelos efeitos da crise no mercado de crédito subprime ou de alto risco. No entanto, as economias da região parecem melhor preparadas para resistir às atuais tormentas, afirmam os especialistas.

A "semana negra", ocorrida em julho de 1997, foi um fenômeno marcado pela desvalorização da moeda tailandesa, que recuou 18% entre um dia e outro, devido à conseqüente perda de confiança, a queda da bolsa e a fuga de capitais. O cenário negativo se propagou rapidamente em vários países da Ásia.

Tailândia, Coréia do Sul, Indonésia e Filipinas tiveram que aceitar a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI), prometendo em contrapartida medidas de saneamento das contas públicas e dos sistemas financeiros.

Passada uma década da tormenta, as nações do sudeste asiático conseguiram se recuperar e se expandir, impulsionadas também pelo exponencial crescimento da China. No entanto, os mercados locais sofrem com a venda maciça de ações por parte dos investidores, que tentam recuperar suas perdas.

Enquanto a maior parte dos bancos da Ásia se considera pouco exposta às dívidas norte-americanas, alguns fundos de investimentos incapazes de recuperar seus empréstimos hipotecários de alto risco tentam compensar os prejuízos vendendo um número considerável de ações nas bolsas.

Para os especialistas, a crise creditícia ilustra a vulnerabilidade da Ásia em relação às noticias negativas provenientes do exterior. No entanto, os analistas ressaltam que o cenário negativo colaborou para que a China mostrasse seu peso na região, já que Pequim desempenha um papel de contrapeso e deverá estabilizar o continente caso haja uma crise importante.

(Marcel Salim - InvestNews)