Cetip lançará termo de índice de CDSs em 2008

SÃO PAULO, 30 de novembro de 2007 - Os investidores locais terão em breve a oportunidade de acesso no mercado brasileiro a um dos títulos de derivativos de crédito mais negociados do mundo, o credit default swap (CDS). A BM&F já aprovou o lançamento de um contrato futuro sobre o CDS da dívida externa do Brasil e aguarda atualmente a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para ser comercializado. A Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip) deve começar a oferecer a partir do ano que vem um contrato a termo do índice de CDS.

Segundo o superintendente-geral da Cetip, Antônio Carlos Teixeira, há um grande interesse dos investidores, tanto nacionais como fundos de investimento e por parte da Tesouraria dos bancos como de estrangeiros, por esse tipo de papel, que pode ser utilizado como hegde contra o risco de crédito de um país ou de uma empresa.

O superintendente de produtos da Cetip, Jorge Sant´Anna, afirma que a instituição já oferece contratos de CDS, conhecidos no Brasil como swaps de crédito, e que a intenção é lançar um contrato a termo de índices de CDS, que são comercializados no mercado externo, como o CDX, contrato de maior liquidez no exterior, que representa um índice de cesta de títulos de companhias de mercados emergentes e norte-americano, administrado pelo CDS Index Company (CDS Index Co). ´A idéia é oferecer no início contratos a termo de CDS de títulos soberanos que tenham divulgação regular e pública no exterior, com os quais os investidores poderão comprar um seguro de crédito e ganhar com o spread do risco-País´, diz.

Os contratos a termo poderão abranger índices de CDS tanto da dívida soberana brasileira, como de outros emergentes, envolvendo papéis pós e prefixados, indexados à inflação e à taxa de juros. O contrato futuro a ser lançado pela BM&F será sobre os CDSs de vencimento em três, cinco e sete anos da dívida externa brasileira.

Concentrado no mercado de balcão no exterior, apenas duas bolsas negociam derivativos de crédito: a Chicago Mercantil Exchange, que negocia um índice de CDSs de empresas americanas, a Eurex, que negocia outro índice de derivativos de crédito, o iTraxx, que reúne títulos de companhia de todo o mundo, gerenciado pelo International Index Company (IIC).

Ainda incipiente no Brasil, o mercado de derivativos no exterior movimentou até junho deste ano, segundo dados do BIS (Banco para Compensações Internacionais), cerca de US$ 516 trilhões, sendo que as negociações de CDS em mercado de balcão alcançaram US$ 42,580 trilhões, contra US$ 28 trilhões em dezembro de 2006. Enquanto no Brasil, os contratos de derivativos movimentaram no ano em torno de US$ 200 bilhões.

Sant´Anna destaca que com o ganho de transparência nas negociações de corporate bonds no mercado norte-americano, os investidores, assustados com um aumento da regulação, passaram a procurar os contratos de CDS no mercado de derivativos de balcão, que hoje não possuem registro em uma Câmara de Custódia e Liquidação. ´A tendência é aumentar a transparência na negociação desses contratos, após a crise no mercado de crédito imobiliário subprime´, diz.

De acordo com Sant´Anna, os investidores estrangeiros, que aplicam no Brasil poderiam se interessar pela negociação dos contratos em reais, para ganhar com a valorização do câmbio, além de atrair os investidores locais sofisticados, que já negociam esse tipo de papel lá fora.

Teixeira ressalta que os investidores brasileiros teriam vantagem em fazer esse tipo de contrato no mercado local, uma vez que a Receita Federal não reconhece as perdas com aplicação em derivativos no mercado de balcão no exterior.

A Cetip já oferece contrato a termo de moedas e lançou no mês passado um contrato a termo de mercadorias. Segundo Sant´Anna, o contrato a termo de CDS pode ajudar o desenvolvimento do mercado secundário no Brasil, ao oferecer mais um instrumento de proteção contra o risco de crédito de títulos públicos e posteriormente privados.

(Silvia Regina Rosa - InvestNews)