Indústria precisa conhecer melhor pequenos lojistas

SÃO PAULO, 29 de novembro de 2007 - A indústria de materiais para construção tem de conhecer melhor os pequenos varejistas. Os fornecedores precisam se adequar a realidades das revendas localizadas na periferia, pois são elas que atendem as classes D e E predominantemente. A constatação é da professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Cristina Proença. "É o consumidor de baixa renda que responde por grande parte das compras realizadas no varejo, entretanto, muitas vezes deixam de realizar uma reforma por falta de recursos. Segundo ela, o problema poderia ser sanado se as indústrias colocassem a disposição produtos básicos em embalagens menores, o que reduziria o custo e até o desperdício. "O pequeno revendedor deixa de colocar à venda marcas que não tem essas opções para não prejudicar seus negócios. Essa mudança de perfil poderia atingir aqueles clientes que tem menores condições financeiras", disse.

A aproximação com os pequenos lojistas é uma realizada na Tigre, fabricante de tubos e conexões, que realiza anualmente um Programa de Desenvolvimento de Gestores. Segundo o gerente de marketing de Vendas da empresa, Giancarlo Minoietti, a iniciativa visa consolidar o relacionamento com os lojistas, mas acima de tudo contribuir para a profissionalização do setor.

"Muitas lojas, especialmente na periferia, são administradas por famílias que entraram no ramo como alternativa de emprego, mas falta técnicas de gestão do negócio. Então, criamos um programa com aulas e sugestões para melhorar a administração e preparar a sucessão dos negócio, já que em muitos casos as pequenas lojas passam de pai para filho", conta Minoietti.

Cristina Proença e Giancarlo Minoietti participaram hoje do Seminário GV - Varejo de Material de Construção da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo (SP).

(Vanessa Stecanella - InvestNews)