Governo conta com leilão de outubro para ter energia em 2012

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SÃO PAULO - A primeira usina do rio Madeira que será leiloada este ano só deve entrar em operação efetiva em 2013. Com isso, o abastecimento de 2012, terá que ser suprido pelos empreendimentos que serão oferecidos no próximo leilão de 16 de outubro, afirmou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

- Vão entrar poucas máquinas em 2012, a usina é praticamente para 2013 - disse Tolmasquim a jornalistas durante seminário de energia, referindo-se à usina de Santo Antonio, de 3.150 megawatts.

Com os sucessivos atrasos por conta de licenças ambientais para o projeto, além de alguns contratempos burocráticos, o leilão previsto para outubro deverá ocorrer no final de novembro, jogando o início das obras para setembro de 2008, por questões sazonais.

Tolmasquim disse esperar que o Tribunal de Contas da União (TCU) aprove o edital do leilão na próxima quarta-feira e, em seguida, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) convoque reunião extraordinária para definir a data da venda. O edital deverá ser publicado um mês após a aprovação do TCU, informou Tolmasquim.

O executivo afirmou que mesmo sem a nova usina o mercado brasileiro de energia não correrá risco de desabastecimento, já que no dia 16 de outubro a Aneel realiza leilão de empreendimentos já em andamento ou operação com oferta de energia para daqui a cinco anos (A-5).

- Ainda não teremos hiderelétrica novas, infelizmente, mas não haverá problema de abastecimento - garantiu Tolmasquim.

Segundo ele, participarão do leilão os chamados projetos "botox", que apesar de em andamento ou em operação não venderam toda a energia instalada. Entre os projetos estarão as hidrelétricas de Serra do Facão (GO), Estreito (TO/MA), Foz do Chapecó (RS/SC), "e bastante térmicas a carvão, a óleo e a gás". Entre eles, Araucária (PR), Santa Cruz (RJ) e parte da Termorio (RJ).

- Hoje não me preocupo tanto com o suprimento de energia, mas sim tornar a matriz brasileira hídrica, que é uma questão que o Brasil tem uma vocação e tem que voltar a ter - afirmou.

Tolmasquim descartou também qualquer risco de abastecimento de energia elétrica no país atualmente por falta de oferta.

Ele explicou que nos últimos meses, devido à falta de chuvas, as térmicas tem sido mais despachadas --o que provou consumo recorde de gás natural em agosto--, mas que faz parte do modelo energético atual utilizar térmicas.

- Em termos de reservatório estamos numa situação bastante confortável, mas faz parte do modelo despachar mais térmicas quando tem pouca chuva, é normal - esclareceu.

O preço da energia no entanto é maior do que a gerada pelas hidrelétricas, o que levou ao aumento das contas de luz nos últimos dois meses.

- Todos nós, consumidores, estamos pagando as térmicas para justamente no período mais seco poder usá-las, para ter uma garantia de ter um nível de reservatórios melhor possível quando chover, o preço da energia cai - afirmou.