Jovens empresários prometem "caras-pintadas" contra CPMF

Portal Terra

SÃO PAULO - Um grupo de jovens empresários promete mobilizar uma multidão para protestar contra a proposta de prorrogação da CPMF. Liderados por André Skaf, 26 anos, filho do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, representantes do Núcleo de Jovens Empresários, do Comitê de Jovens Empreendedores e da OAB Jovem, entre outras entidades, estarão no Vale do Anhangabaú, na capital paulista, no próximo dia 16, ao lado de bandas de rock e políticos de oposição para pedir o fim da contribuição.

Skaf diz que o movimento, batizado de "Tributo contra o tributo", tem sido comparado até mesmo com outras mobilizações populares de grande repercussão no País, como os caras-pintadas, que pediam o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, ou o movimento das Diretas Já, para a volta do voto direto. "Colocar 1 milhão de pessoas na rua, quantas vezes você viu isso no Brasil? É Diretas Já, caras-pintadas", diz.

O jovem empresário esteve envolvido com a divulgação de um abaixo-assinado, que contou com cerca de 1,1 milhão de assinaturas pela Fiesp, contra a contribuição. O documento foi entregue no começo do mês passado à comissão especial da Câmara dos Deputados que avaliava a prorrogação do tributo.

- Nossos senadores é que têm demonstrado certo respeito à população. Se no Senado tivermos a mesma votação do caso Renan, ganhamos - afirma Skaf.

De acordo com ele, o movimento é apartidário, mas não poupa críticas ao governo e à estratégia de defesa da CPMF, que está sendo relacionada à manutenção de programas sociais.

- Se você tirar a CPMF da conta do governo, hoje não acontece nada. Se você precisar de dinheiro para saúde tem, está no caixa. Temos escutado que este dinheiro vai para o Bolsa Família ou combate à pobreza. Isto é uma besteira - ressalta.

Ele ataca a contribuição e diz que o tributo penaliza, principalmente, a população de baixa renda.

- Porque ela (CPMF) incide no pãozinho, no leite de cada dia. Embutido no preço do pãozinho tem quase 3% de CPMF, porque ela é em cascata. O ministro (da Fazenda, Guido Mantega) fala que 0,38% você nem sente. Nem sente? - questiona.

O jovem empresário diz que a manifestação do dia 16 será a voz desta população e que deve ser ouvida.

- A população deve ser respeitada, porque ela paga imposto e nomeia representante. Estamos envolvendo a base empresarial, porque, já que eles financiam diversas campanhas, eles têm que cobrar também - diz.

Agenda

A votação em segundo turno da prorrogação da CPMF até 2011 pela Câmara dos Deputados deve acontecer na próxima quarta-feira, se o governo conseguir encaminhar antes a votação de duas medidas provisórias que trancam a pauta de decisões.

Estão em jogo R$ 38 bilhões em receitas originárias da CPMF, que o Executivo argumenta não poder dispensar. A alíquota de 0,38% está sendo mantida.

O primeiro turno foi realizado em setembro, quando a proposta recebeu 338 votos a favor e 117 contra. Depois da Câmara, a medida segue para o Senado, onde também será submetida a duas votações. É preciso três quintos dos votos nas duas Casas para aprovar a emenda constitucional.