Com ABN Amro Real, Santander vira 3o maior banco do Brasil

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SÃO PAULO - O banco Santander está perto de acertar a compra do ABN Amro Real, saltando quatro posições no ranking de instituições financeiras do país e ficando em terceiro lugar, atrás apenas do estatal Banco do Brasil e do Bradesco.

O grupo espanhol integra o consórcio liderado pelo Royal Bank of Scotland que caminha para fechar a aquisição de todo o ABN Amro por 71 bilhões de euros. Nesta sexta-feira, o britânico Barclays, que tentava se fundir ao ABN, reconheceu derrota na disputa que se arrasta há sete meses pelo grupo holandês.

A oferta do trio de bancos, que inclui ainda o Fortis, terminou às 10h desta sexta-feira (horário de Brasília). Mas o resultado oficial não será imediato --as ações que aderiram à proposta devem ser contadas e o consórcio deverá detalhar o resultado e declarar a oferta incondicional na semana que vem.

Os ativos do ABN serão repartidos, e o Santander assumirá os negócios na Itália e no Brasil. Levando-se em conta os balanços do segundo trimestre, os mais recentes disponíveis, o Santander ficará com ativos totais no mercado brasileiro de 272,1 bilhões de reais.

Com a cifra, o espanhol estará atrás somente do BB, com quase 333 bilhões de reais, e do Bradesco, com 290,6 bilhões de reais. O Itaú cai para a quarta colocação, com 255,4 bilhões de reais.

No ranking do Banco Central, menos acompanhado pelo mercado por levar em conta apenas ativos bancários e não incluir atividades como seguros e previdência, o Santander assumiria a segunda colocação, perdendo apenas do BB.

- Só em agências, a participação no total do Brasil do Santander dobra. O Santander também ganha uma operação de financiamento ao consumo que ele não tinha - comentou a analista Maria Laura Pessoa, da corretora Fator.

O banco espanhol assume um negócio que vem registrando fortes resultados e que foi responsável por quase um quinto do lucro global do ABN Amro em 2006. A aposta é que a rentabilidade permaneça alta nos próximos anos, em meio à expansão do crédito no país, com crescimento a uma taxa de cerca de 20 por cento ao ano.

- O Santander vai se tornar menos agressivo. Ele não vai precisar fazer uma 'guerra de preços' para conquistar market share - avalia o analista Celso Boin, da corretora Link.

O grupo espanhol chegou ao país em 1982, quando abriu o primeiro escritório de representação. Nove anos depois, tiveram início as operações do Santander Investment, que começou a realizar compras no país, com destaque para a do Banespa em 2000, por 7 bilhões de reais.

O ABN Amro, por sua vez, iniciou suas operações no Brasil em 1917, como Banco Holandês da América do Sul. Entre as aquisições mais relevantes do grupo estão a do Banco Real e a do Sudameris.

Para analistas, a aquisição do ABN Amro Real deve intensificar o processo de consolidação do setor no Brasil. Os alvos agora serão bancos menores, em especial os que atuam em nichos como o crédito consignado, área que tem registrado expansão de 40 por cento ao ano.

- O segmento de pequenas e médias empresas também tem crescido fortemente. E vários desses bancos médios que abriram capital (recentemente) são 'middle market'. Alguns outros são focados em consignado - observou o analista Aloisio Lemos, da corretora Àgora Senior CTVM.

- Esses bancos seriam alvos naturais porque são bons no que fazem e são rentáveis - acrescentou.

Das pouco mais de 50 ofertas de ações que aconteceram este ano na Bolsa de Valores de São Paulo, nove foram de bancos de médio porte e a maioria das operações contou com forte participação de investidores estrangeiros. Outras quatro instituições financeiras estão com pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

- Eles (os bancos médios) não têm porte para sobreviver. Quem tende a se dar bem são os bancos com grande capacidade de geração de crédito - afirmou Boin, da Link.

O aumento da participação do Santander no mercado brasileiro também esquenta as especulações de que o Unibanco estaria no rol de alvos. O banco da família Moreira Salles se mantém na sexta colocação entre os maiores do mercado, com ativos totais de 129,6 bilhões de reais no final de junho. Mas a avaliação de que o Unibanco será vendido não é consenso entre analistas, que admitem, no entanto, que a instituição perde agora poder de fogo.

- Ouço que o Unibanco é um alvo de aquisição há 10 anos. Talvez o cenário agora seja um pouco mais propenso à consolidação - comentou Maria Laura, da Fator.