Queda do preço dos imóveis pode afetar gastos com consumo

SÃO PAULO, 25 de setembro de 2007 - A bolha no mercado imobiliário nos Estados Unidos ainda não foi totalmente desinflada e ainda pode trazer novos reflexos com a queda mais acentuada do preço dos imóveis, com impacto sobre os gastos com consumo dos norte-americanos, avalia a economista e professora da Fundação getúlio Vargas (FGV - SP), Eliana Cardoso.

Segundo ela, o preço dos imóveis, que estavam sobrevalorizados, ainda devem ter uma queda de até 20% com a correção dos preços dos ativos e os problemas no mercado subprime (de maior risco), o que poderia ter efeitos na economia real. Eliana ressalta que apesar de representar apenas 5% do PIB americano, o impacto do desaquecimento no setor imobiliário sobre o crédito e os gastos dos consumidores já têm apresentado reflexos na queda da venda de automóveis e bens de consumo duráveis. 'Os consumidores estavam se alavancando baseado no valor de seus imóveis e a medida que eles perdem valor eles podem frear seu consumo', afirma.

Outra preocupação é de que a restrição do crédito possa extravasar o mercado hipotecário e levar a contração de todo o sistema bancário.'Os bancos tiveram que emprestar a seus veículos que não fazem parte de seus balanços, o que consome seu patrimônio e restringe o crédito para o mercado', diz Eliana.

Para o ex-diretor de política monetária do Banco Central Alkimar Moura, o pior não passou e as perdas com a crise no setor imobiliário ainda não foram totalmente liquidadas nos balanços dos bancos. Segundo ele, as taxas de inadimplência ainda devem aumentar nos próximos 24 meses, o que pode impactar o mercado de crédito e os gastos com o consumo dos norte-americanos. 'Os riscos que estavam diversificados com os hedge funds podem retornar aos bancos, uma vez que as financiadoras imobiliárias vendem seus ativos para os grandes bancos atacadistas que podem ter problemas para securitizar os ativos hipotecários', afirma.

Moura ressalta que o problema pode se agravar uma vez que foram concedidos financiamentos hipotecários sem garantias para pessoas com alto de risco de crédito, e uma elavação da taxa de juros com a crise pode dificultar o pagamento dos empréstimos.

Paulo Tenani, chefe de Pesquisa para a América Latina do UBS Pactual Wealth Management, acredita que a probabilidade de uma crise sistêmica é muito pequena uma vez que o sistema financeiro está mais sólido e o risco se econtra bem distribuído.

(Silvia Regina Rosa - InvestNews)