Previsão de crescimento mundial pode ser revisada

SÃO PAULO, 22 de agosto de 2007 - Os reflexos da crise da setor imobiliário norte-americano podem levar o Fundo Monetário Internacional (FMI) a revisar a expectativa de crescimento da economia mundial para 2008. Foi o que admitiu hoje o diretor-gerente Rodrigo de Rato. "Ainda é cedo para fazer projeções, mas é certo que a turbulência das últimas semanas trará impactos sobre a economia, que serão sentidos em diferentes graus em cada parte do mundo", afirmou há pouco, em entrevista coletiva com jornalistas. A expectativa do fundo é de expansão de 5% do PIB global para o ano que vem, a mesma previsão traçada para 2007.

Segundo de Rato, os efeitos dessa instabilidade serão limitados por causa dos bons indicadores da economia dos países, com baixos níveis de inflação e de endividamento, o que tem ajudado a patrocinar as "maiores taxas de crescimento do PIB mundial dos últimos quarenta anos".

Além disso, salientou o diretor do Fundo, os bancos centrais têm agido de forma acertada para amortecer os efeitos da aversão a risco nos mercados financeiros. Ele lembrou ainda que, diferente das turbulências de anos anteriores, desta vez o FMI não teve de socorrer nenhum país, devido ao aperto na oferta internacional de crédito.

O executivo ponderou que a crise é resultado da complacência excessiva na oferta de crédito, não só para as hipotecas de alto risco nos EUA, mas também para compras alavancadas dos fundos de private equity. "Muitos investidores tiveram uma visão demasiadamente simplista dos riscos embutidos nessas operações", disse. Ainda assim, De Rato considerou que as inovações financeiras dos últimos anos tiveram participação importante no crescimento da economia mundial.

O diretor do FMI embarcou para Brasília, onde encontra-se amanhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Na pauta do encontro está a discussão sobre a demanda do governo brasileiro de que haja maior participação de países em desenvolvimento nos processos decisórios do organismo mundial. De Rato deixa o cargo em 31 de outubro e deve ser substituído pelo ex-ministro da francês Dominique Strauss-Kahn.

(Aluisio Alves - InvestNews)