Cenário externo contribui e dólar cai com fluxo positivo

REUTERS

SÃO PAULO - O dólar caiu mais de 1 por cento e voltou a se aproximar da barreira dos 2 reais nesta quarta-feira, com o aumento da entrada de recursos em meio à recuperação dos mercados internacionais. A moeda norte-americana fechou em queda de 1,08 por cento, a 2,013 reais. O dólar tem sido cotado acima de 2 reais desde 15 de agosto. Os mercados financeiros tiveram um dia de otimismo, com alta nas bolsas de valores e diminuição da percepção de risco dos países emergentes. Com a ausência de notícias negativas relevantes sobre o setor de crédito de alto risco, o mercado se apoiou em resultados corporativos fortes e na expectativa de corte do juro nos Estados Unidos.

- O mercado está mais calmo, com certeza. Largou um pouco a defensiva e está comemorando um pouco os bons resultados das bolsas de valores - disse Luiz Pizani, operador de câmbio da Corretora Liquidez.

Segundo o operador, a expectativa de entrada de dólares trazidos por uma empresa nacional de grande porte colaborou para a queda da moeda norte-americana. Além disso, os investidores estrangeiros, que vinham desmontando posições no mercado brasileiro para cobrir perdas no exterior, voltaram a demonstrar algum interesse pelo mercado local.

A consultoria econômica LCA, porém, revisou ligeiramente para cima as projeções para o dólar neste ano porque avalia que o volume de ingresso de investidores estrangeiros será menor no segundo semestre devido ao cenário mais cauteloso no exterior.

- O apetite dos investidores internacionais por ativos de maior risco dificilmente retornará aos níveis do primeiro semestre. Assim, o câmbio doméstico sofrerá uma revalorização apenas modesta, na esteira de uma diluição gradativa do nervosismo internacional - comentou a LCA.

Apesar da queda do dólar em meio ao fluxo cambial positivo, o Banco Central manteve-se à parte e não realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista. Mesmo sem as compras do BC, no entanto, as reservas internacionais têm mantido o ritmo crescente nos últimos dias por causa de ajustes e do rendimento das aplicações feitas pelo Banco Central com o capital acumulado.