Ambiente econômico no país pode piorar com crise, diz FGV

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RIO - Ao divulgar nesta terça-feira um novo índice que revelou ambiente econômico otimista no Brasil, a Fundação Getúlio Vargas admitiu que o cenário tende a ser menos positivo nos próximos meses em função do cenário de instabilidade nos mercados internacionais. A leitura de julho do recém-criado Índice de Clima Econômico (ICE), apurado em parceria com o instituto alemão Ifo junto a 122 especialistas em 15 países da América Latina, mostrou o Brasil à frente dos vizinhos e acima da média mundial. Mas não capturou as turbulências mais recentes no mundo.

- O número de julho mostra que a indústria está crescendo mais do que se imaginava, que o PIB está em um ritmo mais acelerado do que se imaginava inicialmente, os cenários de investimento direto e balança de pagamentos foram muito favoráveis no segundo trimestre - disse a economista da FGV Lia Valls.

No ICE, que pode chegar a 9 pontos, o Brasil obteve 7,2 pontos em julho, na primeira leitura trimestral divulgada. Em abril, na série histórica apurada para comparação, o índice brasileiro havia ficado em 6,4 pontos. A média da América Latina subiu 0,1 ponto sobre abril, para 5,9 pontos. Em todo o mundo, a média de 91 países investigados foi de 6,4 pontos em julho ante 6 pontos em abril. De acordo com a economista, a leitura do restante do mundo foi prejudicada pelo desempenho ruim dos países africanos.

Na América Latina, Argentina e Uruguai puxaram a média da região para baixo.

- A Argentina tem um problema de racionamento de energia e uma série de problemas políticos que tornam a eleição não muito clara. Já no Uruguai, entrou recentemente em vigor uma nova reforma tributária; eles criaram imposto de renda e começaram a taxar o trabalho. Além disso, a inflação está acima da meta - acrescentou a economista.