Turbulência como a atual já ocorreu em 3 grandes crises

Agência Brasil

BRASÍLIA - Turbulência como a que afeta atualmente os mercados financeiros internacionais já ocorreu de forma distinta nas três últimas grandes crises: no México, em dezembro de 1994; nos países do sudeste da Ásia, conhecidos como "tigres asiáticos", em

outubro de 1997; e com a quebradeira da Rússia, em agosto de 1998. Agora, o problema ocorreu em um setor específico, enquanto aqueles casos decorreram de movimentação especulativa dos grandes volumes de capitais em circulação no mundo, em busca de ganhos nos mercados financeiros.

No caso do México, tudo começou quando os Estados Unidos anunciaram forte aumento nas taxas de juros, o que desencadeou a saída de capitais especulativos do país vizinho. O México tinha, então, uma posição pouco confortável em relação às reservas internacionais, e terminou 1994 com apenas US$ 6 bilhões em caixa.

O segundo movimento forte aconteceu em outubro de 1997, quando os chamados tigres asiáticos (Coréia do Sul, Singapura, Taiwan, Hong-Kong e Filipinas) sofreram freqüentes recuos nas suas bolsas de valores. Os problemas detectados no sistema financeiro e as incertezas políticas daqueles países geraram clima propício para especulações contra as moedas locais.

O terceiro movimento foi a débâcle (mudança brusca que acarreta desordem ou ruína financeira) da Rússia, que provocou quedas generalizadas nas bolsas de valores de todo o mundo. Isso, em um momento de fragilidade, quando os países em desenvolvimento se recuperavam do problema gerado dez meses antes pelos países do sudeste asiático. A situação econômica da Rússia provocou déficit público crescente, com perdas de reservas, e levaram o país a declarar moratória e

desvalorização da moeda local (o rublo), com pesadas perdas para os investidores internacionais.

Em todas essas ocasiões, o Brasil e outras economias emergentes foram obrigados a lançar mão de medidas de ajustamento econômico; quase sempre puxadas pela alta das taxas de juros. A mais significativa delas aconteceu com a quebradeira dos "tigres asiáticos", quando o governo brasileiro elevou a taxa básica de juros (Selic) de 20,7% para 43,4%, além de aumentar impostos e editar medidas para manter o capital estrangeiro.