IBGE: Mulher ainda é principal responsável por tarefas domésticas

Agência JB

RIO - Pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que a maior participação das mulheres no mercado de trabalho não muda o papel que elas também desempenham em casa. O levantamento mostra que é exatamente na faixa etária em que elas atuam de forma mais ativa no trabalho fora de casa, que também se dedicam mais intensamente às atividades domésticas.

Segundo o IBGE, nove em cada dez mulheres com idades de 25 a 49 anos se ocupam com o trabalho em casa. O levantamento foi realizado com base nas informações sobre atividades domésticas contidas na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) referentes aos anos de 2001 e 2005. Os dados revelam também que, na comparação com os homens, as mulheres continuam sendo as líderes quando o assunto é trabalho em casa. De cada dez brasileiros com mais de dez anos de idade que desenvolvem algum tipo de tarefa doméstica, quase sete são pessoas do sexo feminino. Além disso, de cada dez brasileiras, nove estão envolvidas nessas tarefas, enquanto entre os homens a proporção é bem menor: cinco em cada dez.

Em 2005, ainda segundo a pesquisa, cerca de 83% das meninas de 10 a 17 anos realizavam afazeres domésticos. A proporção entre meninos dessa mesma faixa etária caía para 47,4%. Elas também gastavam mais horas nessas atividades: 14,3 horas semanais. Já os meninos dedicavam 8,2 horas por semana a este tipo de trabalho.

Outro dado da pesquisa mostra que mais brasileiros passaram a se dedicar aos afazeres domésticos entre os anos de 2001 e 2005. O estudo registrou aumento nesse contingente de 66,9% para 71,5%. Os homens nordestinos são os que menos contribuem com os afazeres domésticos. Pouco menos da metade (46,7%) dos homens participavam, em 2005, da realização dos serviços do lar, enquanto nove em cada dez nordestinas realizam essas tarefas.

Com isso, as mulheres da região gastam a maior média de horas com trabalhos em casa: mais de cinco horas por dia, enquanto os homens dedicam menos da metade, cerca de duas horas por dia. No outro extremo, aparece a Região Sul, onde a participação masculina é de 62%. Lá, no entanto, eles gastam menos tempo com os trabalhos domésticos: pouco mais de uma hora e meia por dia. Já a participação feminina, em todas as regiões brasileiras, é bastante superior à dos homens. Na média nacional, aquelas que realizam afazeres domésticos correspondem a 90,5% enquanto entre os homens essa proporção cai para 51%.

Por outro lado, o menor número de horas dedicado pelos homens ao trabalho doméstico observado na Região Sul, revela outra realidade: a escolaridade, que é maior entre a população dessa região, como fator fundamental para a redução no tempo dedicado aos trabalhos domésticos. Segundo o estudo, isso ocorre tanto entre homens quanto entre mulheres.

O estudo não apontou, no entanto, diferença significativa entre a população em função da cor na média nacional. Verificou-se que as mulheres negras ou pardas (25,7 horas semanais) superam levemente as brancas ( 24,9 horas semanais). No Nordeste, a diferença é maior. As mulheres negras e pardas gastam cerca de 27 horas semanais nestas atividades, quase 4 horas por dia.

A pesquisa do IBGE revela ainda que a aquisição de bens duráveis e o acesso a novas tecnologias que facilitam o trabalho doméstico contribuíram para reduzir o número e horas gastas com as tarefas do lar. Em 2001, os brasileiros gastavam em média quase cinco horas por dia com atividades domésticas. Em 2005, esse número caiu para quatro horas diárias.