Fed acalma mercado e índice sobe 1,13%

SÃO PAULO, 17 de agosto de 2007 - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra mais um pregão de elevada volatilidade, mas finaliza a sessão em território positivo, encerrando uma seqüência de seis quedas consecutivas. O Ibovespa fecha a sexta-feira com alta de 1,13%, aos 48.559 pontos. O giro financeiro segue alto, acima dos R$ 6,63 bilhões. No mercado futuro, o Ibovespa com vencimento em outubro fechou com alta de 1,78%, a 48.650 pontos.

O indicador registra a quinta semana consecutiva de queda, recuando 7,75%. No mês de agosto, a perda acumulada é de 10,37%. No ano, o índice ainda registra alta de 9%.

As bolsas no Brasil, Europa e Estados Unidos reagiram a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), de reduzir a taxa de juro interbancário de 6,25% para 5,75%. Com a medida o Fed visa reduzir os riscos que a crise de crédito pode trazer à economia norte-americana.

De acordo com Edson Marcellino, diretor de renda variável da FinaBank Corretora, a atuação dos BCs foi providencial, e segue a lógica de mercado, pois a busca de títulos públicos subiu muito deixando espaço para uma queda nos juros.

Segundo Marcelino, vimos nitidamente a teoria de aversão ao risco funcionando: na dúvida, venda. "Houve uma perda considerável para nós, que vamos a reboque da crise. Agora o mercado esta reajustando um pouco, houve um certo exagero na queda", avalia.

Na avaliação do diretor, a forte correção trouxe a bolsa para um patamar mais realista criando a oportunidade de entrada para novos investidores. "Isso cria um novo patamar e abre espaço para os investidores e também dá uma visão mais clara que o mercado de renda variável é um mercado de risco."

Para Marcelino, a volatilidade do mercado seguirá elevada por algum tempo, pois é preciso avaliar o tamanho desta crise e as conseqüências sobre as empresas e os bancos. "É uma crise de liquidez de curto prazo causada pela credibilidade, e restabelecer esta credibilidade é uma questão de tempo e resultados."

Destaque de alta para as fabricantes de alimentos, com a Perdigão (PRGA3) subindo 8,36%, para R$ 33,05. A Sadia (SDIA4) ganhou 6,12%, para R$ 8,49. De acordo com Marcelino, a tendência de câmbio automaticamente muda, com a tendência de queda sendo revista.

Valorização de mais de 8% para Transmissão Paulista (TRPL4) e CCR Rodovias (CCRO3) que fecharam a R$ 36,60 e R$ 32,75, respectivamente. Forte alta também para a Cyrela (CYRE3), com alta de 7,26%, para R$ 19,20. A petroquímica Braskem (BRKM5) ganhou 6,96%, para R$ 16,90.

Segundo um melhor desempenho do índice, a Petrobras (PETR4) caiu 1,27%, para 46,40. Já a Vale (VALE5) ganhou 1,81%, para R$ 68.

(Eduardo Campos - InvestNews)