Petrobras conversa com Unipar para pólo petroquímico do Sudeste

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RIO - A Petrobras já iniciou conversações com a Unipar, dona de ativos petroquímicos no Sudeste, para consolidar o setor na região, informou o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, nesta segunda-feira, três dias após anunciar a compra da Suzano Petroquímica.

Costa afirmou ainda em entrevista coletiva que a intenção é criar dois grandes players no mercado brasileiro, 'com a Petrobras junto à Unipar e a Braskem '.

A Unipar é sócia da Suzano Petroquímica na Rio Polímeros (Riopol), na qual a Petrobras tem participação, e é a principal acionista da Petroquímica União (PQU), com 37,2 por cento do capital.

A Unipar ainda divide com a Suzano Petroquímica (33,3 por cento cada uma) a parcela majoritária do capital da Riopol.

Segundo o presidente do braço petroquímico da Petrobras, Petroquisa, José Lima de Andrade Neto, o nome da empresa seria Sudeste Consolidado, a partir da união dos ativos da Unipar com os da Suzano, e poderá não envolver desembolso das empresas.

- A entrada da Unipar na Suzano não passa obrigatoriamente por um aporte de recursos, podemos sentar na mesa e negociar a participação em uma nova empresa - disse Neto.

Na sexta-feira, a Petrobras anunciou que vai pagar 2,1 bilhões de reais pelos ativos da Suzano, além de até 600 milhões de reais que serão desembolsados em oferta pública aos minoritários, visando o fechamento do capital da companhia.

A estatal assumiu ainda dívida de 1,4 bilhão de reais.

O preço pago pela estatal corresponde a até 13,44 reais por ação ordinária da Suzano e até 10,76 reais por ação preferencial, considerado alto pelo mercado.

Costa informou que o laudo sobre a avaliação da Suzano será divulgado na assembléia da companhia, ainda sem data marcada, para aprovação da compra pelos acionistas.

Questionado por analistas em teleconferência mais cedo sobre o preço pago pela Suzano, Costa explicou que o valor leva em conta o papel que a empresa terá na consolidação do setor petroquímico do Sudeste.

- Não é só o preço da empresa, ela (Suzano) é o núcleo de uma empresa consolidada no Sudeste, não é só um ativo isolado - disse Costa.

Presente na teleconferência, o diretor de fusões e aquisições do ABN Amro, Flávio Valadão, que assessorou a operação, informou que a avaliação do preço das ações levou em conta também projetos de expansão da Suzano e sinergias.

Em relatório divulgado no final da tarde, a Standard & Poor's afirmou que a compra da Suzano não altera a avaliação de rating da Petrobras.

Costa reafirmou aos analistas que a companhia pretende entrar forte na segunda geração da indústria petroquímica, seguindo um movimento global que está sendo observado em 'majors' do petróleo, segundo ele.

- Com isso deixamos de ser apenas supridores de matéria-prima, mas participamos ativamente da segunda geração sem ser necessariamente majoritários - disse Costa.

Ele informou ainda que, para defender a compra no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Petrobras vai argumentar que o setor petroquímico precisa ganhar escala para atender ao crescimento industrial brasileiro.

Costa garantiu ainda que se houve vazamento de informações sobre a operação, como foi detectado pela Comissão de Valores Mobiliários, que investiga um volume de negócios acima do normal com ações da Suzano, não partiu de dentro da estatal.

- Todo quadro técnico da Petrobras é gerencial e sabe das suas responsabilidades e tem a nossa confiança, da nossa parte não vazou, mas num evento desse não tem só Petrobras participando, você casa com a noiva - brincou.

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