Opep adverte sobre risco de escassez

SÃO PAULO, 20 de junho de 2007 - A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) advertiu os países consumidores de petróleo sobre os riscos de escassez a longo prazo se os investimentos em biocombustíveis - segmento no qual o Brasil é um dos líderes mundiais - prosseguirem, estratégia diante da qual se mostra cética e que diminuiria os investimentos em produção.

"A Opep não está preocupada com a introdução de uma nova fonte de energia interessante, sobretudo se pode ajudar a combater o aquecimento global", afirmou o secretário-geral da organização, o líbio Abdullah el-Badri.

No entanto, destacou que existem estimativas que apontam grandes quantidades de bicombustíveis a longo prazo, até 2030, o que reduziria a demanda por petróleo dos 12 países membros da Opep.

A União Européia (UE) e Estados Unidos pretendem reduzir em 20% o consumo de petróleo até 2020, recorrendo a energias alternativas. "Estamos investindo US$ 130 bilhões até 2012 em 140 projetos para aumentar nossa produção em seis milhões de barris por dia (mbd), além da produção atual de quase 30 mbd do cartel", afirmou El Badri.

A Opep prevê ainda investir entre US$230 e US$500 bilhões de 2013 a 2020 para aumentar sua produção em nove mbd, acrescentou. "Se recebermos informações de que a demanda por petróleo cairá, temos o direito de reposicionar nossos investimentos. Podemos gastar dinheiro em educação ou moradia", destacou.

"Suponham que em 10 anos a produção de biocombustíveis não seja tão elevada como previsto por causa da concorrência com a terra disponível, a água, a alimentação... Então teremos uma escassez de petróleo", advertiu.

(Redação com agências internacionais - InvestNews)