França pode aumentar imposto sobre o consumo

SÃO PAULO, 19 de junho de 2007 - O primeiro-ministro da França, François Fillon, avisou nesta terça-feira que não pretende encerrar o projeto de um eventual aumento da TVA, imposto sobre o consumo. Essa medida foi criticada pela própria direita, por ter permitido à esquerda se recuperar parcialmente no segundo turno das legislativas. "Não quero que um projeto seja encerrado sob o pretexto de que foi mal explicado", disse Fillon durante um debate com empresários em Tourcoing, no norte da França.

O governo pretende aumentar a TVA, atualmente em 19,6%, e utilizar os fundos arrecadados para repassar parte do financiamento do seguro social das empresas para os particulares. O objetivo é apoiar o emprego e a competitividade reduzindo os encargos trabalhistas e impondo uma taxa maior sobre os produtos importados.

A polêmica criada por esta medida ofereceu à esquerda um argumento inesperado, e aparentemente eficaz, para voltar a mobilizar suas tropas. Segundo o ex-primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin, a TVA custou cerca de 60 deputados à direita.

A esquerda denunciou uma medida injusta que levará os franceses a financiar os presentes fiscais oferecidos aos mais ricos através de reduções de impostos, principalmente sobre os direitos de sucessão.

A União por um Movimento Popular, de direita, obteve 314 cadeiras, e seus aliados do Novo Centro, 22. O Partido Socialista (PS) conquistou 185 cadeiras, os comunistas ficaram com 15 e o Partido Verde com quatro. "Todos admitem que não se pode financiar o seguro social unicamente pelo trabalho", analisou Fillon. O premier pretende "abrir um grande debate com os franceses" sobre esta questão. "Deve ser possível chegar a um consenso", declarou.

(Redação - InvestNews)