Baixo investimento impede crescimento do Brasil

SÃO PAULO, 6 de junho de 2007 - O Brasil não vem acompanhando o crescimento dos demais países emergentes e não está aproveitando o momento favorável, afirmou ontem o professor do Ibmec São Paulo, Eduardo Giannetti da Fonseca, durante o seminário promovido pela instituição.

Segundo ele, o País vem crescendo abaixo da média mundial de 4,9% ao ano, em consequência principalmente de dois fatores: alta carga tributária e baixa formação bruta de capital fixo.

Giannetti explica que parte da poupança do setor privado vem sendo deslocada para financiar gastos correntes do setor público, que somando a carga tributária bruta ao déficit nominal do setor público atingem 37% do PIB. Segundo ele, considerando a má qualidade do gasto público isso resulta num investimento real de apenas 2% a 2,5% do PIB. ´Nós temos o menor investimento em formação bruta de capital fixo, que no País está em torno de 17%. Só para comparar, na Índia essa taxa está em 28% do PIB e na China chega a 35% do PIB´, diz.

A falta de garantia em relação aos marcos regulatórios também representa outro entrave, que na opinião de Giannetti, inibe os investimentos de longo prazo. ´Estamos bem na política macroeconômica de curto prazo, mas a nossa perspectiva de crescimento com a baixa formação bruta de capital deve impedir o País de alcançar a taxa média do crescimento mundial´, afirma.

Ele ressalta que a perspectiva para a economia mundial deve se manter positiva, com o crescimento dos Estados Unidos em torno de 2%, apresentando uma desaceleração sem passar por uma recessão. ´A bolha imobiliária vem sendo absorvida com o nível de inadimplência razoavelmente baixa´, diz. Além disso, a Europa e o Japão têm demonstrado uma retomada do crescimento, com perspectiva de crescimento do PIB superior ao da economia norte-americana.

No entanto, ele alerta para uma crise na expansão da liquidez mundial, que vem sendo alimentada pela poupança dos países asiáticos e pelo superávit comercial dos países exportadores de petróleo. ´O maior risco é de haver um sobreinvestimento na China que não gere o retorno esperado pelos investidores. Não sei se essa taxa de investimento na China é sustentável por muito tempo´, diz.

(Silvia Regina Rosa - InvestNews)