Apesar da alta, IPCA se mantém comportado

SÃO PAULO, 6 de junho de 2007 - A aceleração da inflação oficial do País não impressionou o mercado, que projetava um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre 0,25% e 0,30% em maio. Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, o item vestuário merece maior destaque, já que a alta foi influenciada pela chegada antecipada e mais intensa do frio. "É possível que com a chegada do inverno essa classe de despesas continue a pressionar o índice, entretanto, a inflação deve se manter comportada uma vez que outros itens como transportes podem perder força na próxima apuração", acredita.

O economista da LCA Consultores, Raphael Castro, destaca ainda a elevação do preço de leite e derivados que contribuiram para a alta de 0,28% no mês passado. "O preço do leite no mercado internacional aumentou muito, estimulando as exportações brasileiras. Com o interesse do produtor na cena externa, o preço do produto ficou mais caro por aqui também", disse. No entanto, Castro lembra que historicamente o leite registra discreta elevação nesse período do ano devido a seca das pastagens que influência na queda da produção do gado leiteiro. "Essa pressão deve terminar em meados de setembro quando começa o período chuvoso nas bacias de produção do leite", observa.

Embora também aposte que os itens de vestuário devam continuar contribuindo de forma negativa para a inflação, o economista da LCA acredita que esse efeito deve ser minimizado pela queda nos preços de combustíveis, que em junho já pode refletir o aumento da oferta de álcool devido ao período de safra da cana-de-açúcar. "Os combustíveis tendem a ser o principal foco de alívio neste mês", estima Castro.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)