Venezuela leva seis meses para pagar brasileiros

SÃO PAULO, 5 de junho de 2007 - Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revelou que empresas brasileiras que exportam para a Venezuela esperam até seis meses para receber o pagamento. No final de maio, 75 empresas se reuniram na sede da Fiesp para reclamar da demora do dinheiro das exportações.

Os empresários reclamaram que os atrasos somam mais de US$ 23 milhões, com casos de empresas que esperam há três anos para receber. No entanto, segundo o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Carlos Cavalcanti, esse valor é somente a "ponta do iceberg", já que muitas empresas não informaram os números por medo da concorrência.

Cavalcanti estima que os atrasos podem afetar até US$ 100 milhões em exportações brasileiras. "Os importadores venezuelanos alegam que se trata de uma manobra do presidente Hugo Chávez para tirar credibilidade do setor privado para posterior estatização", disse o diretor, em comunicado.

Os setores mais afetados no Brasil são alumínio, com 36%, materiais elétricos, 26%, veículos e tratores, 11%, máquinas e instrumentos mecânicos com 5,5%, conforme aponta o estudo. O setor de alumínio acumula uma espera para o pagamento das exportações de três a seis meses, com uma soma de US$ 8,4 milhões. Em materiais elétricos, os valores somam US$ 5,9 milhões, que oscilam de seis meses a um ano de atrasos.

Sem citar o nome, o estudo mostra uma empresa que exportou para Venezuela US$ 1,96 milhão a um câmbio de US$ 2,14, (R$ 4,2 milhões) com prazo para recebimento em 25 de outubro de 2006. Após sete meses de atrasos, se a empresa tivesse recebido o valor nesta terça-feira, com um câmbio a US$ 1,94, teria obtido uma receita de R$ 3,8 milhões, perdendo um capital de R$ 367 mil.

Em outro caso, se essa mesma empresa tivesse aplicado o dinheiro com rendimento de 7,66% no período, teria alcançado um capital de R$ 320 mil. O atraso da Venezuela representou um prejuízo para a empresa de R$ 741 mil.

A dificuldade para receber os pagamentos é provocada pela burocracia da Comissão de Administração de Divisas da Venezuela (Cadivi), de acordo com a Fiesp. A entidade foi criada em 2003 com objetivo de coordenar, administrar e estabelecer requisitos para a entrega de divisas aos diversos agentes econômicos. O Cadivi é subordinada ao presidente Chávez e mais cinco diretores, quatro deles militares. Na prática, o órgão é responsável por autorizar a aquisição e a liquidação de divisas, controlando, assim, o câmbio do país.

(Redação - InvestNews)