Cenário externo puxa realização

SÃO PAULO, 5 de junho de 2007 - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra o segundo pregão de queda, mas ainda mantém o patamar dos 53 mil pontos. O índice chegou a cair mais de 1%, mas um movimento de compra na última meia hora de pregão reteve parte das perdas. Acompanhando os mercados internacionais, o Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 0,15%, para 53.162 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 4,05 bilhões.

Em Nova York, os comentários do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Ben Bernanke, estimularam um movimento de venda. O Dow Jones caiu 0,59%, enquanto a Nasdaq perdeu 0,27%. Bernanke voltou a alertar sobre a sua preocupação com o setor imobiliário e inflação, mas destacou que a economia deve ganhar força, depois do fraco resultado do primeiro trimestre. Uma das leituras é de que com os sinais de aquecimento fica mais distante a possibilidade de uma retração nos juros.

De acordo com José Costa Gonçalves, diretor da Indusval Corretora, o mercado passa por um ajuste natural. "Fora isso, o fluxo de recursos continua. Internamente, o céu é de brigadeiro. A tendência não mudou", avalia.

Quanto ao mercado Chinês, que passa por um período de instabilidade, Costa traça um paralelo como o Japão de 15 anos atrás, quando o estouro de uma bolha imobiliária resultou em problemas de liquidez para os bancos do país. Segundo Costa, esta situação preocupa, pois os bancos estão emprestando dinheiro para a compra de ações. Mesmo que a bolha seja somente na China e os bancos também sintam este movimento pode acabar prejudicando outros mercados. "Se for ajuste pontual na China não tem problema para o mercado. Aqui o negócio mesmo é Nova York."

Segurando as perdas, as ações da Petrobras (PETR4) avançaram 0,65%, para R$ 47,99, mesmo com o preço do petróleo em baixa.

Destaque de alta para as fabricantes de alimentos Perdigão (PRGA3) e Sadia (SDIA4) que avançaram 3,73% e 1,95% para R$ 35,79 e R$ 9,89, respectivamente. O frigorífico JBS (JBSS3) avançou 5,62%, para R$ 8,08.

Destoando do restante do setor, o Banco do Brasil (BBAS3) subiu 2,20%, para R$ 27,80, enquanto o Bradesco (BBDC4) perdeu 0,66%, para R$ 49,51.

Queda de 3,16%, para a Sabesp (SBSP3), que fechou negociada a R$ 37,96. A Eletropaulo (ELPL6) cedeu 3,10%, para R$ 124, a Light (LIGT3) recuou 2,36%, para R$ 29,78, e a Cemig (CMIG4) perdeu 2,28%, para R$ 38,50.

(Eduardo Campos - InvestNews)