Governo chinês consegue começar a esfriar mercado de ações

Agência EFE

PEQUIM - A China registrou esta semana os primeiros sintomas de desaquecimento de seu mercado ações, com uma medida governamental que triplicou repentinamente o imposto sobre as transações e deteve a seqüência de recordes das últimas semanas. Em 18 de maio, a China já havia elevado as taxas de juros e do depósito compulsório nos bancos, além de aumentar a flexibilização de sua moeda em relação ao dólar. Era uma tentativa de desacelerar a economia e reduzir a excessiva liquidez. Mesmo assim, as bolsas se mostraram imunes e os índices de Xangai e Shenzhen continuaram em alta.

Os investidores individuais, atraídos pela promessa de lucros rápidos e pela sucessão de recordes durante semanas, continuaram abrindo contas, que no fim do mês superaram os 100 milhões em todo o país.

A febre aumentava sem parar, com o dinheiro de um dos povos mais poupadores do mundo entrando nas Bolsas de Valores. A situação despertava cada vez mais preocupação com o crescente risco de uma explosão da bolha. O setor era alimentado pelo entusiasmo de cada vez mais investidores individuais, que entravam no mercado sem conhecer seu funcionamento nem seus riscos. O Governo, então, decidiu reagir.

No dia 29 de maio, um dia antes do aumento de impostos, as bolsas chinesas alcançaram novos recordes. O fechamento foi de 4.335,18 pontos no índice geral de Xangai e 13.456,60 no de Shenzhen. No dia 30, a alíquota do imposto sobre o comércio de ações subiu de 0,1% para 0,3%. O índice de Xangai caiu 6,95%, e Shenzhen, 6,56%. Foi a maior baixa desde a 'terça-feira negra' de 27 de fevereiro. A repentina intervenção pareceu funcionar. Mas no dia 31 as bolsas começaram a se recuperar da sua maior queda em três meses, e fecharam com leves altas. Nesta sexta-feira, o temor de novas medidas governamentais provocou de novo fortes quedas, de 2,65% em Xangai e 3,92% em Shenzhen.

Para alguns analistas chineses 'a queda foi de curto prazo, até que o mercado reúna novas forças para voltar à tendência de alta', como afirma hoje no jornal 'Shanghai Daily' Zhang Li, da importante casa de corretores Huatai Securities.

- Mais uma vez, as perdas são uma oportunidade de comprar ações a preços mais baratos - acrescentou.

Porém, outro especialista, Wei Wei, da West China Securities, previu que "as correções continuarão durante a próxima semana". Algumas redes de TV chinesas incluíram na sua programação seriados de Hong Kong sobre famílias arruinadas, com membros desesperados cometendo suicídio, após a queda dos mercados asiáticos nos anos 90.