Crise obriga Bolívia a importar gás da Venezuela

SÃO PAULO, 1 de junho de 2007 - O déficit de gás liquefeito de petróleo (GLP) no inverno obrigará a Bolívia a importar da Venezuela o combustível de uso doméstico em massa. A escassez de GLP deve se agravar especialmente em La Paz e Santa Cruz. Mas em todo o país o déficit calculado será de 46 mil garrafas por dia, de 10 kg cada, segundo previsões oficiais.

A produção boliviana de GLP está estimada em 990 toneladas por dia, mas o consumo é de 1.036 toneladas diárias, de acordo com dados oficiais.

Além da importação de 45 toneladas do combustível por dia durante três meses, as autoridades pretendem apelar a um estoque e redobrar o combate ao contrabando do produto na fronteira com o Peru, através da extensa fronteira 1.131 km. No interior da Bolívia, botijão de gás de 10 kg custa US$ 2,8, enquanto nas regiões da fronteira com o Peru e com a Argentina chega a US$ 10 e, em povoados próximos ao Brasil e Chile, a US$ 13.

Para manter os preços baixos, o Estado boliviano subsidia anualmente com US$ 29 milhões o GLP, e com cerca de US$ 100 milhões o diesel. A Bolívia pagará cerca de US$ 800 mil pela compra de gás da Venezuela. Segundo o ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, Morales já concretizou o negócio com Hugo Chávez.

Dados do Ministério dos Hidrocarbonetos destacaram que, nas últimas gestões, a produção de GLP se manteve constante enquanto a demanda cresce a um ritmo de 4,3% ao ano. Villegas criticou as administrações anteriores por não terem pressionado as empresas de petróleo para que invistam na instalação de plantas de extração de líquidos e na ampliação das refinarias.

Apesar do acordo com a Venezuela, o presidente da companhia estatal de petróleo YPFB, Guillermo Aruquipa assegurou que "não precisamos importar, temos volumes de produção de 990 toneladas por dia para junho e uma demanda real de 800 toneladas".

A importação deu lugar a críticas da oposição à política energética de Morales que em maio de 2006 nacionalizou os hidrocarbonetos em poder durante uma década de dez multinacionais de petróleo, como a brasileira Petrobras, a hispano-argentina Repsol, a francesa Total e a britânica British Petroleum.

A Bolívia exporta cerca de 27 milhões de m³ de gás para o Brasil e outros 5,5 milhões de m³ para a Argentina. No caso argentino, este volume deve passar em breve para 7,7 milhões de m³ diários e, mais tarde, a 27 milhões de m³ diários.

(Redação com agências internacionais - InvestNews)