AmBev aposta em recuperação de market share no Brasil em abril

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RIO - A AmBev espera recuperar ou pelo menos manter estável sua participação no mercado brasileiro de cerveja, após ter perdido espaço para rivais no primeiro trimestre. A companhia ficou com 67,6% de market share de cerveja no país de janeiro a março, ante 68,7% no mesmo intervalo de 2006. Considerando apenas o mês de março, a fatia da AmBev ficou em 66,8%, redução de 2,1 pontos percentuais contra igual período do ano passado, segundo dados da empresa de pesquisa AC Nielsen.

- A nossa expectativa é que já a partir da próxima leitura da Nielsen no mínimo a gente reverta a queda ou não continue caindo - afirmou a jornalistas o diretor-geral da AmBev para a América Latina, Luiz Fernando Edmond.

Enquanto a AmBev perdeu espaço no mês passado, a Petrópolis - dona da marca Itaipava - chegou a 8,1% das vendas de cerveja no Brasil, ante 6% um ano antes. A Schincariol ficou com 12,4% do mercado, praticamente estável. A Femsa, fabricante da Kaiser, tinha 8,5%, avanço de 0,4 ponto percentual em 12 meses. Edmond atribuiu a queda do market share da AmBev aos ajustes de preços implementados pela empresa.

- Nós historicamente, após os nossos ajustes de preços, sofremos um pouco até que os concorrentes decidam seguir ou não o nosso aumento. Neste ano tem demorado um pouco mais para os concorrentes reposicionarem seus preços, e ainda assim eles vêm fazendo abaixo da média - justificou o executivo.

Além disso, segundo ele, a AmBev "não construiu o mesmo nível de estoque no mercado" que costumava fazer antes dos aumentos de preços de seu portfólio de cervejas no país, que variaram de 3 a 4%. Edmond disse que a AmBev atuará "cirurgicamente" para reverter a queda de participação no mercado, "sem destruir a rentabilidade", mas evitou dar detalhes da estratégia.

Ele destacou que o volume de vendas de cerveja da AmBev no mercado interno cresceu 5,1 por cento no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado. O segmento de cerveja no Brasil representa mais da metade da receita líquida da AmBev, responsável pelas operações nas Américas da InBev, maior cervejaria do mundo em volume. Nesta quinta-feira, a AmBev divulgou lucro líquido de 645,9 milhões de reais no primeiro trimestre, queda de 1,5 por cento contra o mesmo período do ano passado.

De acordo com o diretor-geral da AmBev, a empresa iniciará a produção de seus refrigerantes nas duas fábricas compradas da Cintra até junho. A produção de cerveja nas duas unidades - uma em Piraí, no Rio de Janeiro, e outra em Mogi Mirim, interior de São Paulo - deve começar no terceiro trimestre. A AmBev anunciou no final de março a aquisição das plantas das Cervejarias Cintra por 150 milhões de dólares. O destino das marcas e dos ativos de distribuição da Cintra ainda são incertos, já que o vendedor tem opção até outubro de vender para um terceiro esses negócios.

- A aquisição da Cintra não tem nada a ver com market share. A gente precisa de capacidade - enfatizou Edmond.

Segundo ele, a AmBev avalia a construção de uma nova fábrica na região Norte, onde a empresa tem atualmente uma unidade produtiva em Manaus. O projeto será definido até o princípio de 2008.