Abertura comercial pode conter valorização do câmbio

SÃO PAULO, 9 de maio de 2007 - A promoção de maior abertura comercial no Brasil, com a redução das alíquotas de importação poderia contribuir para a conter o ritmo de apreciação da moeda brasileira, avaliaram economistas reunidos ontem em debate para discutir as perspectivas para a taxa de câmbio.

Para o diretor de pesquisas e estudos do econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, a pressão para valorização cambial é fruto em grande parte do superávit comercial recorde que o Brasil tem alcançados nos últimos anos. Ele ressalta que todas as moedas de países emergentes tiveram uma grande valorização, conseqüência da alta liquidez no mercado internacional e da elevação do preço das commodities. 'A alta demanda pelas commodities, sobretudo por parte da China, ainda deve continuar forte por 10 a 15 anos, o que tende a provocar uma pressão para a apreciação do câmbio', afirma.

Nesse cenário, segundo Barros, uma abertura para as importações poderia contribuir para elevar a competitividade e equilibrar a conta de capitais. 'A abertura das importações vai turbinar a indústria permitindo o aumento de produção de exportação', afirma

Para o diretor do Goldman Sachs, Paulo Leme, medidas como o aumento das alíquotas de importação, recentemente anunciadas pelo governo, vai na contramão das políticas para conter a apreciação do câmbio. Segundo ele, o Banco Central (BC) deve intervir de forma moderada para que a valorização seja suavizada. "A intervenção do BC deve ser acompanhada de outras medidas econômicas como as reformas estruturais e fiscal para reduzir o custo de produção no Brasil', afirma. Essas medidas poderiam, segundo Leme, compensar a valorização do câmbio para ganhar competitividade.

(Silvia Regina Rosa - InvestNews)