Potências comerciais se reúnem em Bruxelas para discutir Doha

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BRUXELAS - Quatro potências comerciais se reúnem em Bruxelas na próxima semana numa tentativa de reduzir as diferenças para um acordo na Rodada de Doha de flexibilização comercial global, disse uma autoridade européia na terça-feira.

Os negociadores mais importantes da União Européia (UE), Estados Unidos, Índia e Brasil --países que compõem o G4-- vão se encontrar nos dia 17 e 18 de maio na capital da Bélgica, de acordo com David O'Sullivan, autoridade da Comissão Européia.

Após esse encontro, outras reuniões ainda devem ser realizadas pelos países do G4 nas próximas semanas.

- Veremos se é possível para o G4 a mobilização para uma convergência, que seja levada a todos os 150 países da Organização Mundial do Comércio (OMC), provavelmente em meados de junho, afirmou O'Sullivan a um comitê parlamentar europeu.

A rodada de Doha da OMC foi iniciada há mais de cinco anos, na tentativa de ordenar a economia mundial após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

No entanto, as discussões excederam diversos prazos e podem se atrasar ainda mais, se um acordo não for encontrado antes do final do ano, em função da campanha para a eleição presidencial nos Estados Unidos em 2008 e outros fatores.

O'Sullivan disse ser indispensável que os membros da OMC obtenham sucesso nessas negociações antes das férias de verão no hemisfério norte.

'Discussões intensas' eram conduzidas para reduzir os temores dos países em desenvolvimento, como a Índia, sobre abertura de mercado para bens agrícolas, diante do interesse norte-americano em explorar novas oportunidades de exportação para seus agricultores, informou O'Sullivan.

Negociações para a redução de tarifas para bens de natureza não-agrícola, como carros ou substâncias químicas, também estavam 'muito difíceis', pois os países em desenvolvimento não ofereciam um mercado real aos europeus e a outros exportadores, disse O'Sullivan.

- Acredito que todos que estão próximos aos debates poderiam avaliar como chegar a uma solução que funcione para todos os interessados, mas se realmente conseguiremos será algo que vamos descobrir em meados de junho, no caso do G4, e entre junho e julho (na OMC) em Genebra - concluiu.

A UE também está a ponto de completar e lançar novos acordos bilaterais e regionais para o livre-comércio.

O'Sullivan disse que negociações com o Conselho de Cooperação de Países do Golfo, no Oriente Médio, iniciadas 20 anos atrás, seriam concluídas em 'uma questão de meses'.

Por outro lado, as conversas com o bloco de países do Sudeste Asiático, lançadas neste mês, podem levar de dois a três anos.

Os dois membros mais pobres, Laos e Camboja, podem eventualmente decidir por não assinar o acordo, de forma a manter os privilégios comerciais que possuem atualmente com a UE.

Bruxelas também se recusa a firmar qualquer contrato com Mianmar enquanto o país for controlado por um regime ditatorial, segundo O'Sullivan.