Petrobras admite que precisa manter produção de gás na Bolívia

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RIO DE JANEIRO - O Brasil não pode abrir mão do gás natural boliviano e por este motivo deve manter na Bolívia pelo menos os investimentos necessários para garantir o abastecimento do país, avaliou nesta terça-feira o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

- A Petrobras não pode largar a produção na Bolívia. Quem vai produzir lá? - disse Costa a jornalistas no lançamento da pedra fundamental do Centro de Integração do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, em São Gonçalo.

No domingo, o governo boliviano proibiu as exportações de petróleo e gasolina pela Petrobras a partir de suas duas refinarias na Bolívia, provocando forte reação do presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, que na segunda-feira ameaçou deixar as atividades de refino no país vizinho.

- Não dá para imaginar que vamos parar de importar da Bolívia, isso não vai acontecer - disse Costa, lembrando que é necessário investir o mínimo para manter o nível atual de produção.

O diretor explicou, no entanto, que novos investimentos estão suspensos até que a Bolívia anuncie a sua posição sobre a oferta de venda feita pela Petrobras de suas refinarias instaladas naquele país.

- Você não vai fazer investimentos sem saber o que vai acontecer. Eu diria que todos os investimentos vão ser reavaliados - afirmou.

Gabrielli deu prazo de até quarta-feira à meia-noite para o governo de Evo Morales decidir se aceita a proposta de venda das refinarias.

Segundo fonte da estatal, o valor dos ativos pedido pela Petrobras não será mais de 200 milhões de dólares, como havia sido especulado inicialmente, e deve variar entre 120 e 160 milhões de dólares. O governo boliviano, no entanto, teria proposto pagar apenas 60 milhões de dólares, abaixo do custo da compra, em 1999, de 102 milhões de dólares.

Costa lembrou que a Petrobras está fazendo um esforço para aumentar a oferta de gás no Brasil, para amenizar o risco Bolívia no longo prazo, citando como exemplo o Plangás, um plano de incremento da produção que prevê mais 25 milhões de metros cúbicos de gás natural nacional diários entre 2008 e 2009, além da importação de Gás Natural Liquefeito (GNL).

Ele anunciou ainda que em agosto será iniciada a terraplanagem da refinaria em Pernambuco, projeto conjunto com a venezuelana PDVSA, com capacidade para refinar 200 mil barris diários de petróleo, mas admitiu que ainda não foi assinado o contrato final entre as duas companhias.

- A PDVSA ainda não assinou, estamos ainda no memorando de entendimentos - afirmou.