Compra do ABN deve gerar grande emissão de ações de consórcio

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MADRI - O Santander pode ter que emitir até 20 % de seu valor de mercado em novas ações para participar da contraposta de um consórcio de três bancos interessados na aquisição do ABN Amro. Além disso, o mercado tem avaliações divergentes sobre quão rápido o banco espanhol conseguiria retorno. O Royal Bank of Scotland, ao lado do Santander e Fortis, fez proposta de 72 bilhões de euros (US$ 98 bilhões) pelo ABN Amro, ameaçando o acordo fechado entre a instituição holandesa e o britânico Barclays .

Analistas dizem que o financiamento da contraproposta envolveria grande emissão de ações por parte de Fortis e Santander para pagar a parte em dinheiro da oferta --70 % do total. Para o Santander, parte do valor seria compensado pelo fato de acordos internacionais serem dedutíveis de impostos, segundo as leis espanholas. O maior banco da zona do euro se recusou a comentar além dos comunicados oficiais, e o fato de todos os bancos envolvidos fazerem silêncio sobre o financiamento está deixando alguns analistas nervosos. Um porta-voz do Fortis também se recusou a comentar como o acordo seria financiado.

- Não sei como o Santander pode emitir algo próximo de 15 bilhões de euros em novas ações e não ver desvalorização de suas ações - afirmou o analista de um banco europeu. 'E não entendo porque não disseram nada sobre isso.'

Arturo de Frias, do Dresdner em Londres, espera que o acordo eleve o lucro por ação do Santander a partir do primeiro ano, enquanto outros analistas disseram que a operação diluirá o lucro em pelo menos cinco por cento. Outros chegaram a recomendar mudança para os papéis do rival BBVA . Analistas dizem que não está claro que partes do ABN seriam compradas pelo Fortis, mas um deles afirmou que uma emissão da instituição belgo-holandesa pode chegar a 50 por cento de seu capital. As ações do Fortis caíram dois por cento, para 33,81 euros. Eva Hernandez, analista da Espirito Santo, em Madri, informou que o Santander pode levantar 8,4 bilhões de euros ao vender ações e reestruturar sua base de capital.

- O valor restante...seria financiado através de emissão de ações...implicando em um aumento de capital de entre 10 e 20 por cento, um risco para o preço da ação do Santander - acrescentou.

Depois de uma queda de três por cento na terça-feira, o Santander subia quase um por cento, para 13,50 euros.

- Supomos que a potencial divisão dos ativos daria ao Santander posições do ABN na América Latina (principalmente o Banco Real, no Brasil) e também o Antonveneta, na Itália. Esperamos que o Santander pague em torno de 20 bilhões de euros por esses dois ativos - afirmou Frias, do Dresdner.

- Calculamos que...o Santander precisaria vender algumas participações financeiras (Cepsa, San Paolo IMI ) e levar adiante uma oferta de cerca de 13 bilhões de euros - acrescentou.