BC se esforça, mas dólar segue trajetória de queda

SÃO PAULO, 25 de abril de 2007 - O Banco Central (BC) está se esforçando para tentar reverter a tendência de valorização do real, mas é consenso entre os analistas que a autoridade monetária não tem forças para isso, uma vez que o juro brasileiro continua sendo o maior do mundo. O dólar encerrou em queda de 0,69%, comprado a R$ 2,19 e vendido a R$ 2,021.

O fluxo de recursos, principal responsável pela queda da divisa estrangeira, segue firme em direção ao País. As transações correntes, dado que engloba a balança comercial e as despesas com serviços, cresceram mais de 7% no primeiro trimestre deste ano, conforme nota do setor externo do BC divulgada ontem.

Para evitar que o fluxo faça o dólar testar o piso de R$ 2,00, o BC vem usando a criatividade. "Após ser imprevisível nas atuações com swap cambial reverso, o BC quer manter o fator surpresa e as atuações erráticas, porque talvez esta seja a única forma de obter algum efeito sobre as cotações", destacou um profissional. Para manter este clima de expectativa, a autoridade monetária anunciou na noite de ontem mais uma novidade: deixará de avisar aos seus dealers por telefone sobre os leilão de swap. A comunicação será feita apenas através do "Sisbacen".

Hoje, a autoridade monetária fez o terceiro leilão com swap sem prévio aviso, mas desta vez não conseguiu reverter tendência de queda do dólar. Foram negociados 8,45 mil contratos, equivalente a cerca de US$ 400 milhões. No mercado à vista, adquiriu divisas a uma taxa média de R$ 2,021.

O bom momento dos mercados externos, com a divulgação de importantes dados norte-americanos, também repercutiu positivamente sobre os negócios. Nos EUA, os pedidos por bens duráveis subiram 3,4% em março, depois de ter avançado 2,4% em fevereiro, sinalizando aceleração no ritmo da atividade econômica. Já as vendas de novas moradias apontou a primeira alta em três meses, avançando 2,6% no mês passado.

O Livro Bege do Fed, documento mais aguardado do dia, mostrou que a economia norte-americana manteve um ritmo moderado de crescimento nestes últimos dois meses e o mercado de trabalho segue bastante aquecido.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)