Unibanco Asset revê expectativa para o índice

SÃO PAULO, 24 de abril de 2007 - A Unibanco Asset Management (UAM) mudou sua meta para o Ibovespa, de 51.500 pontos para 57.300 pontos. A projeção é válida para os próximos 12 meses. Isso significa uma valorização de 16,5% do índice em relação ao fechamento de ontem, que foi de 49.162 pontos.

De acordo com o superintendente de renda variável da UAM, Ronaldo Patah, o que motivou a revisão foi a melhora geral no cenário econômico brasileiro, com a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) apontando para uma economia maior do que esperada. A queda no risco-País é outro fator a favorecer o mercado, assim como a perspectiva de que o Comitê de Política Monetária (Copom) retome os cortes de 0,5 ponto percentual, na taxa Selic. "Temos visto uma postura do Governo de foco total em crescimento. E isto é bom para as empresas", avalia, indicando expectativa de crescimento nos lucros de 20% para este ano.

O especialista também acredita que a qualquer momento o Brasil pode ter uma elevação na classificação de sua dívida soberana, o que deixaria o País apenas um passo atrás do grau de investimento, movimento que atrairia ainda mais recursos para o mercado. Patah acredita que entre o segundo semestre de 2008 e 2009 o Brasil finalmente deve perder a classificação especulativa, passando a ser reconhecido como investment grade.

O principal risco a esse cenário seria uma forte desaceleração ou recessão da economia norte-americana. No entanto, Patah não acredita neste cenário e indica que não teremos resposta clara sobre esta possibilidade no curto prazo. A dúvida recai sobre o mercado imobiliário, que segue perdendo força e pode influenciar negativamente o crescimento do País.

De acordo com o especialista, baseados em movimentos passados, muitos analistas previam recessão neste ano. No entanto, Patah acredita que o mundo passou a ter ciclos econômicos mais longos. "Que a economia trabalha em ciclos de expansão e retração é inexorável, a questão é saber quanto tempo tem cada ciclo."

Para Patah, esses ciclos de crescimento têm seu prazo esticado com os países apresentando maior responsabilidade fiscal e políticas monetárias condizentes. "E com isso estamos no quinto ano de bonança, o que é muito positivo para os mercados de risco", avalia.

(Eduardo Campos - InvestNews)