PAC precisa de apoio do Banco Central para "sair do papel"

Agência Brasil

BRASÍLIA - O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) corre o risco de não "sair do papel" caso não seja coordenado com a redução da taxa básica de juros, definida pelo Banco Central. A opinião é compartilhada tanto pelo deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) como pelo economista Márcio Pochmann, em debate realizado nesta sexta-feira, na capital paulista.

Ciro considera o PAC a demonstração de que é possível buscar o crescimento com uma ação planejada e organizada do Estado, junto com a iniciativa privada.

- Minha angústia é que há uma certa necessidade crítica de coordenação que também não existe.

Segundo ele, "se não houver uma coordenação estratégica entre Banco Central, com política monetária, cambial, fiscal, o PAC não sai do papel".

A decisão do Comitê de Política Monetária de reduzir em 0,25 pontos percentuais a taxa básica de juros anunciada esta semana vai contra todos os objetivos do PAC, na avaliação de Ciro Gomes.

- Revela continuamente uma descoordenação do Banco Central.

O professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Márcio Pochmann, concorda.

- Se não houver uma coordenação do conjunto das políticas nós poderemos ter um programa muito bem concebido, mas que poderá não ter os resultados inicialmente projetados.

Pochmann disse esperar que o PAC não repita o fracasso, segundo ele, do programa Brasil em Ação, do governo Fernando Henrique Cardoso.

- Nós já tivemos no governo anterior um programa similar, que lamentavelmente não foi implementado. Em primeiro lugar porque não havia dinheiro e, em segundo lugar baixa, capacidade de gestão. Para o PAC, aparentemente há medidas concretas de garantia de recurso, mas precisa avançar do ponto de vista de sua gestão e coordenação.

O economista disse acreditar que o PAC já se tornou uma questão de política nacional e que há um compromisso dos partidos políticos que não existia em medidas anteriores.

- De certa forma o plano estabelece metas de crescimento econômico que eu entendo que serão medidas de avaliação do próprio desempenho do governo nos próximos anos.

Já o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), as medidas do PAC passarão da teoria para a prática, mas é um procedimento que exige um esforço grande do congresso.

- Algumas medidas já foram votadas, outras creio que até o prazo razoável também serão votadas, mas o PAC na depende só da votação no Congresso. Depende também de um desafio importante na gestão do programa.

Aldo Rebelo, enfatizou que esse será um desafio que o governo terá de procurar responder.