Indústria quer reajustar mão-de-obra com salário mínimo

SÃO PAULO, 20 de abril de 2007 - A indústria fumageira quer atualizar o valor da mão-de-obra do fumicultor na planilha de custo de produção com base no reajuste do salário mínimo. A proposta que tinha sido apresentada aos representantes dos produtores em março pelo Sindicato da Indústria do Fumo (Sindifumo) voltou a ser foco de discussão pelos membros da Comissão Técnica Mista, formada por representantes das indústrias e dos produtores de fumo.

Cauteloso, o diretor-secretário da Associação dos Fumicultores do Brasil

(Afubra), Romeu Schneider, disse que o assunto será analisado por federações e sindicatos rurais. "A proposta trouxe avanços. Mas precisa ter a sua viabilidade minuciosamente estudada", disse. "Depois da análise, faremos uma outra reunião para encontrar um consenso e obtermos um custo de mão-de-obra atualizado, que seja bom para o produtor e com reflexos positivos para toda a cadeia", adiantou o dirigente.

Nos últimos três anos aproximadamente a remuneração da mão-de-obra tem gerado impasse entre a indústria e os fumicultores do Rio Grande do Sul, o pólo fumageiro do País. Dos 10 itens aproximadamente que compõem o custo de produção da atividade tabagista, a mão-de-obra é o mais importante, respondendo por cerca de 50% dos custos totais.

Nos últimos dois anos a indústria vem tentando atualizar todos os itens dos custos de produção do tabaco, os quais considera defasados.

A última atualização, segundo o presidente do Sindifumo, Iro Schünke, ocorreu nos últimos 10 anos aproximadamente. A divergência entre as partes despontou em 2003 quando a indústria começou a reajustar o valor da mão-de-obra pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de forma unilateral. Os representantes dos produtores seguem se baseando nas pesquisas feitas junto aos produtores terceirizados sem muito sucesso.

(Viviane Monteiro - InvestNews)