Índice cai 0,09%; giro bate R$ 14,5 bilhões

SÃO PAULO, 18 de abril de 2007 - Pela segunda sessão consecutiva, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou o pregão em território negativo. Depois de uma sessão bastante instável, o Ibovespa encerrou com leve baixa de 0,09%, aos 48.710 pontos - queda confirmada pouco antes do call de fechamento, quando o índice ainda apontava alta de 0,35%.

O vencimento do índice futuro adicionou volatilidade ao pregão. O giro financeiro do dia ficou em R$ 14,547 bilhões, novo recorde. Do total do volume financeiro, R$ 4,85 bilhões referem-se ao vencimento de opções, sendo na sua totalidade opções de compra, com 107.440 contratos registrados. O resultado supera o vencimento de 14 de fevereiro, que movimentou R$ 14,3 bilhões, sendo R$ 4 bilhões em contratos de índice.

Sem dados na agenda do dia, o Ibovespa seguiu Nova York, onde o índice Dow Jones registrou nova máxima histórica, acima dos 12.800 pontos. Por aqui, o índice chegou a subir 1,20%, batendo nos 49.339 pontos, maior patamar já registrado no intraday.

De acordo com o economista-chefe da consultoria UpTrend, Jason Vieira, o índice acompanha a alta internacional amparado por bons referenciais internos. "Mas está quase na hora de realizar", avalia.

Na visão do economista, o Ibovespa está muito esticado. Porém o que mais preocupa é que o mercado externo também está operando em patamares recordes. Uma correção lá fora pode ter forte impacto no índice, que em menos de quatro meses já beira a meta estimada para o ano.

Na Visão de Vieira, por hora, a agenda de indicadores não traz nada de perigoso. "Mas daqui a pouco, o investidor vai procurar algum motivo para justificar a venda", pondera.

Movimento parecido já foi observado em fevereiro deste ano, quando rumores envolvendo a Bolsa de Xangai estimularam o maior movimento de correção desde 11 de setembro de 2001.

A venda começou em 27 de fevereiro e estendeu até meados de maio, com o índice atingindo a mínima de 41.179. Desde então, o Ibovespa já ganhou mais de 18%, ou seja, uma arrancada de 7.500 pontos. Neste meio tempo, Europa também voltou a patamares recordes, assim como Ásia e EUA. No acumulado no ano, o Ibovespa ainda registra valorização de 9,52%.

Dentro do índice, destaque para a GOL (GOLL4), que subiu 2,9%, para R$ 58,85, e para a Eletropaulo (ELPL5), também com alta de 2,9%, a R$ 102,90. Já a Petrobras (PETR4) perdeu 0,73%, para R$ 47,40, e a Vale (VALE5) recuou 1,01%, para R$ 70,97.

Bom desempenho para as ações da NET (NETC4), que subiram 2,04%, para R$ 29,90. A operadora do triple play apresenta amanhã seu balanço, e a previsão da Brascan é de lucro de R$ 47 milhões para o primeiro trimestre, contra os R$ 7 milhões registrados em igual período de 2006. A corretora mantém recomendação de venda para o papel.

Já o banco de investimentos Merrill Lynch considera a empresa como a melhor escolha dentro do setor de TV a cabo na América Latina, dado o crescimento robusto e constante da base de assinantes, tanto de TV quanto de banda larga. O ML prevê lucro de R$ 48 milhões para a companhia.

As ações da Embraer (EMBR3) avançaram 1,25%, para R$ 24,21. O Merrill Lynch reiterou hoje a recomendação de compra para as ações da companhia, destacando a importância da encomenda de 30 jatos E-190 feita pela Lufthansa, empresa líder no mercado alemão de aviação.

A Votorantim Celulose e Papel (VCP) fechou com queda de 0,39%, a R$ 40. A companhia encerrou o primeiro trimestre de 2007 com lucro líquido de R$ 163 milhões, resultado 3% superior aos R$ 159 milhões observados em igual período do ano passado. Durante o pregão o papel chegou a subir 1,34%.

(Eduardo Campos - InvestNews)