Embaixador brasileiro se opõe a cotas para importações da China

Agência JB

SÃO PAULO - O embaixador brasileiro na China disse nesta quarta-feira que é contrário a eventuais restrições às importações do país asiático, ainda que alguns setores industriais brasileiros estejam pedindo cotas para limitar as compras.

- É preciso não cair na tentação das soluções simplistas, como preconizar um protecionismo, pouco eficaz como instrumento de proteção em um mundo globalizado - afirmou Luis Augusto de Castro Neves, em comunicado divulgado durante conferência sobre o relacionamento dos dois países em São Paulo.

- Isso não levará a lugar nenhum - acrescentou.

O Brasil poderá registrar um déficit em sua balança comercial com a China de aproximadamente 2 bilhões de dólares em 2007, dizem analistas.

Seria a primeira vez que o resultado para o Brasil no comércio com os chineses seria negativo desde que as trocas entre os países atingiram grandes volumes, há sete anos.

O comércio total entre os dois países deverá crescer 37 por cento em 2007, para 22 bilhões de dólares. Brasil e China, junto com Índia e Rússia, formam o chamado BRIC, grupo das economias emergentes em rápido crescimento.

Líderes industriais brasileiros têm pedido ao governo que aplique salvaguardas contra alguns produtos chineses, como sapatos, têxteis e brinquedos.

O Brasil vende principalmente soja, minério de ferro e aço para a China, enquanto o país asiático exporta uma variedade de produtos manufaturados.

Em vez de ameaçar com sanções, o governo brasileiro tenta persuadir a China a investir em alguns grandes projetos de infra-estrutura no Brasil.

A postura brasileira tem constrastado com a de algumas potências, como os Estados Unidos, que entraram com ações na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra a China.

A União Européia informou nesta quarta-feira que também pode ingressar na OMC contra o país asiático, ou mesmo aderir aos casos já iniciados pelos EUA.