Bolívia: Conflito sobre por jazida de gás natural tende a aumentar

Agência EFE

LA PAZ - O conflito na Bolívia pela posse da rica jazida de gás natural 'Margarita', operada pela companhia petrolífera hispano-argentina Repsol YPF, tende a aumentar, após as declarações do Governo e os novos combates entre moradores e forças de segurança.

A disputa pela jurisdição do campo, com 10,5 trilhões de metros cúbicos de gás, deixou na noite desta terça-feira um manifestante morto em Villamontes. Doze militantes também foram vítimas de disparos e muitos outros ficaram feridos em Yacuiba. As duas cidades estão localizadas na província Grande Chaco, no departamento sulista de Tarija.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, lamentou que os dois povos irmãos se enfrentem 'por pouco dinheiro', e fez um apelo aos grupos para que encontrem uma saída pacífica para o conflito.

Grande Chaco e sua vizinha O'Connor iniciaram medidas administrativas para a demarcação territorial da região de Chimeo, onde fica o campo 'Margarita', cuja exploração gera aproximadamente US$ 10 milhões.

O campo 'Margarita', operado pela Repsol YPF, é propriedade de uma sociedade da hispano-argentina com a britânica British Gas e com a Panamerican Energy, vinculada ao grupo British Petroleum.

O conflito, que vitimou policiais e soldados, foi registrado quando as forças de segurança expulsaram os moradores de Villamontes e Yacuiba, que pretendiam ocupar instalações da Transredes, distribuidora de hidrocarbonetos e subsidiária das multinacionais Ashmore e Shell.

Apesar da tentativa de invasão, a estação da Transredes em Yacuiba não teve problemas com o transporte de gás natural à Argentina, segundo fontes da companhia.

A vítima fatal de Villamontes recebeu um tiro na noite desta terça-feira, no mesmo dia em que oito pessoas da cidade ficaram feridas por disparos.

Em Yacuiba, pelo menos outras doze pessoas também ficaram feridas hoje, fato que contrariou a suposição de que os moradores da região estariam satisfeitos com a decisão governamental, anunciada nesta quarta-feira.

Os habitantes do Grande Chaco, que desde a segunda-feira passada realizam uma greve e bloqueiam estradas rumo à Argentina e ao Paraguai, conseguiram fazer hoje com que o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, ordenasse que a disputa sobre a jurisdição do campo seja administrada pela Prefeitura de Potosí.

A decisão foi rejeitada imediatamente pelos líderes da província O'Connor, que se consideram 'traídos' pelas autoridades do Governo nacional, e anunciaram que irão à Justiça para serem escutados.

O prefeito de Entre Ríos (capital da província), Teodoro Suruguay, declarou à Efe que as organizações de O'Connor 'estão na iminência de ver quais medidas precisam ser tomadas' em defesa do direito que reivindicam sobre a jazida de gás.

Suruguay antecipou que as ações 'serão mais drásticas' do que as realizadas no mês passado, quando os manifestantes fecharam a estrada regional..

- Somente a pressão e a chantagem dão resultados. Não nos resta outra alternativa - disse o prefeito.

Quintana justificou a decisão de transferir o trâmite de delimitação territorial por conta da negligência, incompetência, desinteresse e manipulação política na qual incorreu o prefeito de Tarija, Mario Cossío.

Cossío alegou que a resolução do Governo tem a intenção de provocar a divisão desse distrito, e pediu ao presidente Morales que restitua a paz e a tranqüilidade na região.

As posições divergentes evidenciam o embate político entre Cossío e o Movimento Ao Socialismo (MAS), partido governista que acusou o governador de descumprir suas obrigações de tentar pôr fim ao conflito.