Contratos longos refletem CPI e fecham em queda na BM&F

SÃO PAULO, 17 de abril de 2007 - Influenciadas positivamente pelo comportamento da inflação nos Estados Unidos, as projeções de juro embutidas nos contratos mais longos de Depósito Interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fecharam em queda. O DI com vencimento em janeiro de 2008, o mais líquido hoje, chegou ao final da sessão apontando taxa anual de 11,86%, ante 11,87% do ajuste anterior, após 194 mil negócios e movimentando R$ 17,97 bilhões. O contrato para janeiro de 2009 encerrou com taxa de 11,44% ao ano, frente 11,45% do fechamento anterior, com 142 mil negócios e giro de R$ 11,85 bilhões. Já o DI de janeiro de 2010 caiu de 11,27%, do ajuste de segunda-feira, para 11,24% hoje, movimentando R$ 10,13 bilhões e com 135 mil contratos negociados.

A divulgação que mais influenciou o movimento na BM&F, nesta terça, foi a do índice que mede a inflação ao consumidor norte-americano (CPI), que subiu 0,6% em março, variação em linha com a expectativa dos agentes. A leitura do núcleo, que exclui da conta os preços de energia e alimentos, sendo, portanto, menos volátil, apontou alta de 0,1% no mês passado, menor taxa do ano e inferior à previsão de 0,2%. Com a inflação pressionando menos a economia norte-americana, caem as expectativas de um ajuste na taxa básica de juros dos Estados Unidos - possibilidade levantada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na ata de sua última reunião.

´Os contratos de juros mais longos são muito influenciados pelo risco. E como a inflação, na percepção de risco do mercado americano, já preocupa menos, os contratos reagiram apresentando queda´, observa o gerente de renda fixa do Banco Prósper, Carlos Cintra.

Hoje, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou sua reunião bimestral para definir o rumo da taxa básica de juros, atualmente em 12,75% ao ano. A expectativa do mercado é de que o colegiado promova uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. ´Se vier algo diferente de 0,25 (ponto percentual) vai pegar o mercado de surpresa. Nos contratos de curto prazo esse ajuste já está precificado´, afirma Cintra.

Hoje o DI com vencimento em maio de 2007 apontou juro anual de 12,43%, ante 12,44% do ajuste de ontem. Já o contrato para julho de 2007 fechou com taxa de 12,29%, ante 12,27% de segunda-feira, enquanto o vencimento de outubro de 2007 teve taxa de 12,07%, frente 12,06% do ajuste anterior.

(Tatiana Freitas - InvestNews)