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Índice supera instabilidade e fecha em alta

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SÃO PAULO, 28 de novembro de 2006 - Depois de um pregão bastante instável, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) firmou tendência de compra e encerrou a sessão em território positivo. O Ibovespa subiu 0,31%, para 41.043 pontos, com giro financeiro em R$ 2,15 bilhões.

Mais uma vez o dia de negociações foi pautado pelas movimentações em Nova York, onde os investidores assimilaram dados divergentes sobre a economia norte-americana. A retração na confiança do consumidor e a forte queda nas encomendas por bens duráveis foram balanceadas por um ligeiro aumento na venda de moradias usadas. Com a retração nos preços, a vendas de imóveis apresentou o primeiro avanço em oito meses em outubro.

Ainda hoje, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Ben Bernanke, voltou a afirmar que a expectativa é de que a inflação recuará conforme a economia perde força, e que a perda de fôlego resulta do menor crescimento do mercado imobiliário. Bernanke também voltou a indicar certa preocupação com o núcleo de preços (variação que exclui o preço da energia e dos alimentos), que permanece elevado.

Segundo Jason Vieira, economista-chefe da consultoria UpTrend, o comportamento da inflação nos EUA vai centrar as atenções do mercado no próximo ano. "Se o núcleo não reagir para baixo, podemos ter problemas", avalia.

Parte do mercado já trabalha com a expectativa de uma retração nos juros norte-americanos já no início de 2007. De acordo com Vieira, seria muito otimismo trabalhar com esta expectativa de afrouxamento, tendo em conta que trajetória da inflação, principalmente do núcleo, segue incerta. Segundo o especialista, o Fed deverá manter os juros estáveis por tempo que o estimado.

Depois de 17 reajustes consecutivos desde junho de 2004, a taxa norte-americana está fixada em 5,25% ao ano. O patamar é mantido desde agosto, e a possibilidade de encerrar o ano como está é grande. O Fed realiza sua última reunião do ano dia 12 de dezembro.

O assunto juros também pauta o mercado no front interno. Amanhã, o Comitê de Política Monetária (Copom) apresenta sua decisão sobre a taxa de juros. Vieira acredita em um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, que encerraria 2006 aos 13,5%. O especialista embasa sua estimativa indicando que as pressões inflacionárias observadas recentemente não são pontuais, mas sim uma reflexo de um processo interno e externo de maiores preços das commodites agrícolas.

No âmbito corporativo, destaque para as empresas do setor de consumo. Perdigão (PRGA3) ganhou 3,7%, para R$ 25,5, Sadia (SDIA4) avançou 2,5%, para R$ 6,50, e a Natura (NATU3) subiu 2,13%, para R$ 29,62.

Entre os bancos, bom desempenho para o Banco do Brasil (BBAS3), que avançou 3,2%, para R$ 56,2, enquanto Bradesco (BBDC4) recuou 0,5%, para R$ 79,8.

Fazendo frente ao movimento de compra, as ações da Petrobras (PETR4) avançaram 0,5%, para R$ 44,16. Já a Vale (VALE5) fechou estável a R$ 49.

(Eduardo Campos - InvestNews)