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Índice recua 2,02%, maior queda desde 11 de setembro

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SÃO PAULO, 27 de novembro de 2006 - Acompanhando um movimento mundial de realização de lucros, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou a segunda sessão consecutiva de baixa. O Ibovespa caiu 2,02%, para R$ 40.915 pontos, maior desvalorização percentual diária desde o dia 11 de setembro. O giro financeiro foi de R$ 2,61 bilhões. Em Nova York, Dow Jones caía 1,3% e a Nasdaq perdia mais de 2%. Os mercados europeus também registraram forte queda.

De acordo com José Costa Gonçalves, diretor da corretora Indusval, o movimento de venda é natural dada a forte valorização registrada nos últimos pregões. O Ibovespa fechou outubro com alta de 7,72% e até sexta-feira o mês de novembro apresentava valorização de 6%.

Segundo o especialista, o movimento de venda não muda a tendência de alta do mercado, que pode voltar para cima dos 42 mil pontos. "Precisava de um ajuste, mas a tendência segue de compra", avalia.

Costa se mostra otimista quanto a 2007. A perspectiva segue positiva, com destaque para os setores de construção e consumo, que refletem o movimento de queda nas taxas de juros. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar um novo corte na Selic, que pode encerrar 2006 em 13,25%. Ainda de acordo com Costa, a economia deve crescer mais, mas ainda não deve chegar aos 5% almejados pelo governo. Uma condição essencial para a manutenção dessas expectativas é um cenário externo benigno, sem sobressaltos em questão de juros e crescimento.

O setor de telecom liderou as perdas, com as ações ON da Brasil Telecom Participações (BRTP3) caindo 8,01%, para R$ 30,40. O papel ON (BRTP4) recuou 6,51%, para R$ 16,31.

O setor como um todo está sensível às notícias de consolidação. De acordo com Costa, o adiamento da terceira assembléia da Telemar prejudica o mercado como um todo, pois a Telemar está servindo de modelo para as outras empresas que também consideram unificar as subsidiárias e classes de ações.

Medidas judiciais levaram ao cancelamento da terceira assembléia. A expectativa era de que o processo de reestruturação pudesse ser aprovado, já que o quórum para esta convocação seria de 25% das ações PN, contra a necessidade de 50% mais uma observada nas duas reuniões anteriores. O papel PN (TNLP4) recuou 1,38%, para R$ 32,01, a ON (TNLP3) caiu 4,52%, para R$ 66,50.

Destaque de alta para as ações da TIM, que ainda reflete os boatos de que a companhia foi vendida para a Claro, empresa controlada pela mexicana América Movil. As empresas não confirmaram o negócio avaliado em ? 8 bilhões, cerca de R$ 22,6 bilhões. O papel PN (TCSL4) registrou alta de 2,04%, negociado a R$ 7,50, enquanto a ação ON (TCSL3) recuava 1,34%, para R$ 11,74.

O setor bancário foi o grande alvo de venda. O Banco do Brasil (BBAS3) caiu 3,59%, para R$ 54,47, e o Bradesco (BBDC4) recuou 1,61%, para R$ 80,18. Já o Itaú (ITAU4) cedeu 1,80%, para R$ 70,90 e o Unibanco (UBBR11) perdeu 1,51%, para 18,17.

(Eduardo Campos - InvestNews)