48% dos consumidores são incapazes de equilibrar suas despesas

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Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Credit...Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Equilibrar o orçamento hoje em dia é difícil para grande parte dos consumidores brasileiros. De acordo com a Serasa Experian, no ano passado os consumidores deixaram de pagar várias contas, em média 3,5.
Com isso, a inadimplência atual alcançou os níveis mais altos dos últimos 12 anos, mais de 60 milhões de brasileiros estão nesta condição nos órgãos de proteção ao crédito.

De acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) no mês de junho houve 77,3% de famílias com contas a vencer.

Como há muito tempo, a principal fonte de endividamento dos consumidores é o cartão de crédito. 86,6% dos entrevistados afirmam ter dívidas deste tipo, seguem os endividados com contas nos carnês de lojas (18,3%) e em terceiro lugar com o financiamento de carros ou motos (10,8%).

Junho mostrou uma leve melhora em relação a maio, apenas 0,1 pontos. De acordo com a CNC esta redução do endividamento pode ser consequência da melhora no mercado de trabalho e também das medidas temporárias tomadas recentemente, que fazem com que parte dos consumidores contem com mais recursos econômicos.

A inadimplência também diminuiu em relação ao mês de maio, caiu 0,2 pontos. Desde setembro do ano passado não mostrava nenhuma redução, hoje está em 28,5%. Entre os inadimplentes, 10,6% dos entrevistados afirmam não contar com o dinheiro necessário para poder quitar essas contas em atraso.

Como consequência desta crise financeira, 48% dos consumidores têm problemas para poder controlar suas contas e por isso prejudicam sua saúde financeira, segundo a pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Entre os demais consumidores, que fazem um maior controle sobre suas finanças, apenas uma terceira parte faz um planejamento mensal para controlar suas contas com antecedência.

 

O que fazer se estou negativado?

Uma boa alternativa é procurar renegociar as dívidas com as instituições, com o intuito de conseguir um novo plano de pagamento, ou um bom desconto caso puder pagar toda a dívida.

Sempre que for possível, para quem está inadimplente é conveniente juntar todas as dívidas e pagá-las à vista. Com esta estratégia, muitos podem conseguir um desconto de até 80% no valor final que deve pagar.

Para esta situação, se o cliente não conta com a totalidade do capital é muito conveniente solicitar um empréstimo, pois mesmo tendo que pagar juros e encargos, isso terá um valor muito menor do que continuar pagando a dívida pelo seu valor individual.

Muitos, antes de optar por fazer um empréstimo, procuram trocar seus bens, como veículos ou imóveis, por dinheiro. Mas isso nem sempre é conveniente, pois na urgência de conseguir o capital para sair do negativo é possível vender o bem a um menor preço, e terminar fazendo um mau negócio.

 

Vale a pena fazer um empréstimo para quitar as dívidas?

Somente se não for possível renegociar ou a proposta da instituição não for conveniente para o cliente, seria vantajoso fazer uma troca de dívidas. Isto é, fazer um empréstimo para poder pagar o total das contas, mas que os interesses das parcelas sejam menores aos juros que pagaria da dívida.

Mas, antes de fazer esta troca é preciso analisar se vale a pena solicitar um empréstimo para quitar as dívidas.

Quanto ao empréstimo, é importante avaliar as taxas de juros aplicadas nas diferentes operações e a sua relação com o prazo de pagamento. Quanto maior for o número de parcelas do empréstimo, maior é o gasto total da operação.

Em geral, ao estar negativado, o consumidor encontra poucas opções de crédito e muitas vezes, as que encontra, tem juros altos e prazos curtos de pagamento. Por isso é indispensável simular o empréstimo.

Na hora de contratar um crédito, o consumidor pode encontrar propostas com juros bem baixos, no entanto é preciso prestar atenção ao CET e não somente à taxa de juros. O Custo Efetivo Total (CET) é a taxa que indica quanto será o valor total do crédito, isto é, inclui as taxas de juros, os impostos sobre a operação e os encargos cobrados.

Em vista disso, o valor do CET sempre é maior ao da taxa de juros, mas é o porcentual que realmente importa no momento de comparar, pois é o valor que efetivamente o cliente irá pagar pelo capital emprestado.

Quando o consumidor tem várias dívidas em ativo é conveniente consultar as instituições como o SPC ou a Serasa. Ao pesquisar com seu CPF poderá conhecer todas as dívidas que estão registradas, independentemente da data de vencimento, e, na maioria dos casos, pode começar a fazer a renegociação das suas dívidas.

Em alguns casos é possível fazer uma renegociação da dívida e pagar o novo valor em parcelas. Independentemente se o pagamento é à vista ou não, o consumidor deve conhecer muito bem as condições da operação (valor do desconto, taxas de juros, forma de pagamento, impostos e encargos, datas, etc.).

Ao tirar o nome do negativo, o consumidor poderá recuperar seu crédito, e pode aumentá-lo sempre que manter o equilíbrio ou melhorar suas condições. Com isso é possível fazer novos financiamentos ou aproveitar o crediário com melhores condições.

No entanto, depois de ficar com o nome limpo e estabilizar as contas é conveniente analisar todos os gastos e ingressos para fazer um planejamento financeiro e assim evitar ter novos problemas ou voltar a ter o nome negativado.


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