68,1% das famílias estavam endividadas no mês de abril segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor - RJ

Mensalmente, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) realiza a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor

Marcello Casal JrAgência Brasil
Credit...Marcello Casal JrAgência Brasil

Apesar da quantidade de pessoas endividadas se manter estável no Rio de Janeiro em meio à mudança de trajetória na política monetária e ao aumento do preço dos itens básicos e das taxas de juros, as famílias se veem obrigadas a ajustar seu orçamento mês a mês.

Mensalmente, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) realiza a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, mais conhecida como PEIC. Esta pesquisa permite traçar um perfil de endividamento, entender o nível de comprometimento do salário dos endividados e coletar dados para analisar qual será o comportamento futuro dos consumidores.

Esta pesquisa coletou dados nas capitais de todos os estados para poder dar informações a nível nacional e também estadual sobre consumidores. Entre outros dados, na PEIC do Rio de Janeiro, que é divulgada pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ), em abril foi evidenciada uma queda de 1,8 ponto percentual da quantidade de famílias endividadas: de 69,9% em março para 68,1% neste mês.

O endividamento inclui dívidas com o cartão de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais e financiamento de carros e de imóveis. Dessa porcentagem de endividados, 13,3% estão com atrasos para realizar o pagamento das suas contas e se percebem sem as condições para fazer a quitação neste mês.

Como vem sendo em todo o país, o cartão de crédito continua como a principal dívida dos entrevistados, 87,4% dos fluminenses fizeram compras parceladas com este meio de pagamento, 8,1% com carnês de loja (item que mostrou uma queda de 1 ponto percentual com respeito ao mês de março) e 10% das famílias tem seu orçamento comprometido com as parcelas de um financiamento de veículo.

Cada mês é preciso ajustar o orçamento para dar conta de todos os gastos
Outro dado relevante da PEIC feita no Rio de Janeiro foi a redução na inadimplência das famílias. Em março foi registrado 25,8% de inadimplência entre os entrevistados e abril marcou 24,6% de inadimplência. Esse valor representa, novamente, a volta aos patamares atingidos antes da pandemia, pois esse valor é menor ao que foi registrado em janeiro de 2020, 29,2%.

Apesar desta estabilidade, o agravamento da pandemia que levou a novas medidas restritivas somado ao aumento dos preços dos alimentos, dos combustíveis e da energia e todas as dificuldades de recuperação da economia nacional, é possível pensar que a tendência ao endividamento seja maior nos próximos meses assim como o aumento da inadimplência dos consumidores, e isso pode acarretar complicações em todas as áreas da nossa vida.

Por exemplo, recentemente o Copom decidiu aumentar a taxa de juros básica como medida para conter o aumento da inflação. Isso faz com que haja menos recursos disponíveis para as pessoas e torne as diferentes operações de crédito mais caras para os consumidores, desde as compras com o cartão de crédito, passando por um empréstimo pessoal, até os financiamentos de imóveis. Isso implica que as famílias continuem ajustando seus orçamentos mês a mês e que se vejam na obrigação de limitar ainda mais seu consumo.

Mas, diante de situações emergenciais ou se quiser investir em negócio ou empreendimento para incrementar sua renda, terão que ter maior rigor no momento de escolher e contratar um crédito porque o gasto será maior. Nesse sentido, será preciso analisar profundamente os possíveis empréstimos pessoais ou créditos para pessoas jurídicas para avaliar o custo final e o impacto de cada parcela no orçamento familiar ao longo dos meses em que sua renda estiver comprometida para a quitação.

Outro fator que colabora com a queda do endividamento, porém não é muito positivo para o mercado, é a terceira queda consecutiva da Intenção de Consumo das Famílias do Rio (ICF – RJ) também divulgado pelo IFec RJ. Em abril a intenção de compra caiu 3,9 pontos percentuais e chegou ao valor-índice de 68,1.

Entre os diferentes itens pesquisados todos mostram queda na intenção de consumo, se destaca -5,6 p.p Momento para Duráveis, -5 pontos porcentuais da compra a prazos e -4,9 p.p. do nível de consumo atual. Se considerarmos que em abril 60,1% dos fluminenses afirmaram ter medo de perder o emprego devido a situação atual, segundo a pesquisa Visão do Consumidor, é entendível que as vendas caiam.
Afinal as incertezas do futuro econômico fazem com que o consumidor evite o comprometimento da renda futura em itens que não são considerados necessários no momento nem emergenciais, postergando, por exemplo, a compra de eletrodomésticos e outros grandes bens ou a realização de reformas ou passeios.

No entanto, as expectativas dos comerciantes do Rio de Janeiro para este mês são altas. Considerando a baixa dos óbitos por Covid-19, o menor número de casos registrados, a redução das hospitalizações e o bom ritmo de vacinação, o cenário traz mais confiança para o comércio da cidade e do estado. Além disso, consideram que os números de abril somente são o reflexo do agravamento da situação sanitária no começo desse mês.