Petrobras recupera R$ 49,78 bilhões de lucro em 1 ano

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Arquivo/Agência Brasil
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Ao apresentar lucro líquido de R$ 1,167 bilhão no 1º trimestre, embora menor que as expectativas dos analistas, que estimavam de R$ 2,9 bilhões (Bradesco BBI) a R$ 3,34 bilhões (XP Investimentos), a Petrobras recuperou quase R$ 50 bilhões em relação ao prejuízo que R$ 48,52 bilhões que lançou no balanço do 1º trimestre de 2020, quando fez baixas contáveis de R$ 65,3 bilhões devido à queda das cotações do barril do petróleo na pandemia da Covid-19 (no 1º trimestre de 2021 as baixas foram de apenas R$ 508 milhões). Mas o lucro teve forte recuo frente aos R$ 59,89 bilhões do 4º trimestre de 2020, devido à escalada do dólar no período janeiro-março, que afetou o endividamento, com custo adicional de R$ 18,7 bilhões.

Embora só tenha sido aprovado para o comando da estatal em 16 de abril, em substituição a Roberto Castello Branco, o general Joaquim Silva e Luna destacou que “a Petrobras apresentou um sólido resultado. Superamos, nesse período, os desafios dessa complexa conjuntura, com segurança, progressividade das ações e respeito ao meio ambiente, aos acionistas e à sociedade em geral, gerando expressivo valor para a companhia”.

O 1º trimestre do ano foi impactado favoravelmente pelo alta de 38% do preço do petróleo (Brent) e menores despesas operacionais recorrentes. O preço médio do Brent foi de US$ 60,40, aumento de 37,7% sobre os US$ 44,23 do 4º trimestre de 2020 e de 21,2% frente aos US$ 50,26 do 1º trimestre de 2020. E o preço médio dos derivados no mercado interno subiu 30,1% em relação ao último trimestre (alta do Brent e do dólar) e 22,1% sobre igual período de 2020.

A companhia aumentou em 19% o pagamento de participação governamental. Foi registrada uma melhora significativa do EBITDA recorrente em relação ao trimestre anterior, com aumento de 36%. Esse indicador financeiro, que fechou o trimestre em R$ 47,8 bilhões, é usado na análise do resultado operacional de uma companhia ao longo do tempo. Ao excluir o efeito de juros, impostos, depreciação e amortização do lucro líquido e de itens não recorrentes, facilita a comparação de resultado entre empresas, informação que auxilia na tomada de decisão dos investidores.

Redução de dívidas

A dívida bruta da estatal fechou em março em US$ 70,966 bilhões. Uma redução de 20,5% frente aos US$ 89,257 bilhões de março de 2020. Em termos líquidos caiu para US$ 58,424 bilhões (redução de 20,1%) em 12 meses. A geração de caixa expressiva (R$ 31,1 bilhões de fluxo de caixa livre positivo) e a entrada de caixa referente à venda de ativos (R$ 1,1 bilhão), possibilitaram a manutenção dos investimentos programados e a forte desalavancagem, mesmo em cenário desafiador.

No trimestre, a Petrobras diminuiu sua dívida bruta em US$ 4,6 bilhões. Já em abril, houve redução adicional de US$ 3,2 bilhões. Com isso, a Petrobras alcança o patamar de US$ 68 bilhões de dívida bruta, muito próximo da meta de US$ 67 bilhões prevista para o fim de 2021.

A companhia conseguiu aumentar em 30,5% frente a igual período do ano passado o lucro geral ajustado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda), que somou R$ 48,95 bilhões. Frente ao 4º trimestre de 2020 houve aumento de 4,1%. O mercado esperava Ebitda um pouco menor, de R$ 46,88 bilhões. Em termos recorrentes, o Ebitda ajustado foi de R$ 47,76 bilhões, crescendo 29,3% em 12 meses e 36,1% frente ao 4º trimestre.

O fluxo de caixa livre (que dá a medida da capacidade de investimentos) somou R$ 31,09 bilhões, com aumento de 2,8% sobre o 4º trimestre e 16,6% sobre o 1º trimestre de 2020.

Já o faturamento líquido da estatal somou R$ 86,17 bilhões, alta de 14,2% ante a igual período de 2020 e de 14,9% frente ao 4º trimestre do ano passado. O mercado espera faturamento de R$ 97,93 bilhões no trimestre.

Dois fatores contribuíram para o aumento da receita: a valorização de 38% no barril de petróleo do tipo Brent e o crescimento nas vendas de diesel, o principal derivado da companhia, que atingiu R$ 25,2 bilhões, um aumento de 39,6%, devido aos pesados reajustes no 1º trimestre, que desagradaram ao presidente Jair Bolsonaro, que decidiu trocar o comando da estatal ao fim de do mandato de Castello Branco, em 12 de abril. Em volume, as vendas no mercado interno foram 20% acima do mesmo período de 2020 e caíram 3% em relação ao último trimestre do ano passado.