Como a intervenção de Bolsonaro no Banco do Brasil afeta a empresa?

André Brandão renunciou à presidência do banco após ter sido ameaçado de demissão pelo presidente Jair Bolsonaro. O substituto Fausto Ribeiro foi contestado por conselheiros

Foto: Folhapress / Ageu da Rocha
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Depois da Petrobras, chegou a vez do Banco do Brasil passar por um período turbulento devido à insatisfações do presidente da República Jair Bolsonaro.

A nomeação de Fausto Ribeiro para a presidência da instituição financeira, nesta quinta-feira (1º), desagradou os conselheiros independentes do banco. Segundo eles, Ribeiro não percorreu "todas as etapas de funções gerenciais" desejáveis para assumir o posto.

A manifestação, assinada por quatro integrantes do Conselho de Administração do BB, reconhece que o comandante do Banco do Brasil é nomeado e demissível pelo presidente da República, mas alega que as escolhas devem seguir as "boas práticas de governança corporativa".

O presidente do conselho, Hélio Magalhães, renunciou ao cargo por discordar da interferência.

O até então presidente do banco André Brandão colocou o cargo à disposição em 18 de março depois de ter sido ameaçado de demissão por Bolsonaro, contrariado com o anúncio do BB de realizar uma reorganização administrativa com fechamento de agências e demissão de 5.500 funcionários.

A iniciativa do banco visava economizar R$ 535 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões até 2025, e as medidas foram alvo de greve dos funcionários.

Para o economista Mauro Rochlin, professor dos cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a interferência não é vista com bons olhos pelo mercado.

"O problema é que o Banco do Brasil é um banco de economia mista e com ações lançadas na bolsa de valores. O governo tem, obviamente, a maioria, mas por conta disso, o banco está sujeito a toda uma regulamentação que existe", afirmou o economista em entrevista à agência de notícias Sputnik Brasil.

Rochlin explica que, como está listada na bolsa brasileira, a empresa precisa seguir determinadas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o mercado de ações no país. Além disso, as eventuais quedas do preço dos papéis das empresas da bolsa levam à perda de valor de mercado e de poder de investimento.

"Com isso, o governo não pode intervir ao seu bel-prazer. Não pode ser feita uma gestão política do banco", afirmou.

Nesta quinta-feira (1º), as ações do Banco do Brasil (BBAS3) caíram 1,64%, fechando o dia cotadas em R$ 29,95. Desde o dia 17 de março, um dia antes da renúncia de André Brandão à presidência da instituição, a desvalorização é de 2,44%.

"Quanto mais essa interferência política acontece, menor é a credibilidade do banco e da alta gerência diante do público e dos acionistas. E isso, em tese, ocasiona a desvalorização das ações do banco e, consequentemente, outras implicações a partir daí", disse. (com agência Sputnik Brasil)

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