Bradesco e Itaú Unibanco procuram novo presidente para o IRB Brasil

Depois de trocar a alta cúpula da companhia às pressas, diante da perda de credibilidade da gestão anterior por práticas irregulares

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Bradesco e Itaú Unibanco estão em busca de um novo presidente para o IRB Brasil RE. Depois de trocar a alta cúpula da companhia às pressas, diante da perda de credibilidade da gestão anterior por práticas irregulares, o plano, já desenhado pelos sócios, conforme fontes, é encontrar um CEO para comandar uma ‘nova fase’ do negócio. Em contrapartida, esperam que o IRB consiga retomar a confiança do mercado, deixando no passado todo o episódio que exigiu um processo de saneamento contábil e corporativo na companhia, com uma injeção bilionária de recursos.

Regras do Novo Mercado obrigam mudança

Atualmente, a presidência do ressegurador está sendo acumulada pelo também presidente do Conselho de Administração, Antonio Cássio dos Santos. No entanto, conforme as regras do Novo Mercado, de mais elevada governança corporativa, o prazo máximo para um mesmo executivo ocupar as duas cadeiras é de um ano, que se expira no mês que vem.

Com isso, os sócios buscam um novo presidente executivo (CEO) enquanto Santos deve permanecer apenas no assento máximo do colegiado. Ele desembarcou no IRB há quase um ano, vindo da seguradora italiana Generali, para capitanear o turnaround da companhia. Além do executivo, também assumiu a missão, vindo da BB Seguridade, Werner Suffert, como vice-presidente executivo, financeiro e de relações com investidores do IRB.

“É natural que se busque um novo diretor-presidente para o IRB. É uma conversa que está acontecendo”, disse uma fonte, ao Broadcast.

O IRB informou, questionado pelo Broadcast, que além das regras do Regulamento do Novo Mercado e, em linha com Comunicado ao Mercado divulgado pela companhia em 26 de maio de 2020, o acúmulo dos cargos de Presidente do Conselho de Administração e de CEO por Antonio Cassio dos Santos tem a data limite de 27 de março de 2021. Na ocasião, afirmou, se completará o prazo máximo de um ano permitido para a referida cumulação. “A companhia tem analisado os próximos passos a serem adotados e informará ao mercado em momento oportuno”, disse.

Itaú e Bradesco conversam com governo sobre mudança

Itaú e Bradesco tratam o IRB apenas como investimento. Em meio à crise de imagem do ressegurador, os sócios optaram por sair do Conselho de Administração e também abriram mão de indicar membros. A ideia, na época, foi reforçar o conceito de corporation, ou seja, de empresa com capital pulverizado, e dar carta branca à gestão que estava assumindo na época. O Bradesco detém uma fatia de 15,8% do IRB, por meio de sua seguradora, e o Itaú, de 11,5%.

Em paralelo, os sócios do ressegurador também conversam com o governo, conforme fontes, na condição de anonimato. A União detém uma ação golden share no IRB a despeito de ter saído da companhia, em julho de 2019, em uma oferta com o Banco do Brasil. A golden share confere alguns diretos especiais à União. Dentre aqueles permanentes, está a indicação do presidente do Conselho de Administração e seu suplente, e também mais um membro para o colegiado. Não está prevista, porém, influência do governo na nomeação do presidente da companhia.

Para uma fonte, que acompanha o IRB, a troca do comando do IRB é inoportuna neste momento. A atual gestão, disse, ainda está “no meio do turnaround” e seria “ruim” do ponto de vista estratégico.

“No lugar, deveriam manter os atuais executivos (Santos e Suffert) e trazer alguém para o Conselho”, afirmou, na condição de anonimato. “Foram os dois quem assumiram o problema e consertaram todos os erros da gestão anterior. Trocar agora no meio de um turnaround é bem ruim.”

Procura já está em andamento

Só será possível saber se será ruim ou não, segundo um analista, na condição de anonimato, a depender da escolha dos sócios. A procura está em andamento e eventuais candidatos já têm sido procurados, conforme fontes ouvidas pelo Broadcast. “Não acho muito ruim. Vai depender de quem colocarem”, disse o analista.

Nas últimas semanas, o IRB voltou aos holofotes. Investidores brasileiros, inspirados no fenômeno da americana GameStop, se juntaram para impulsionar a valorização dos papéis do ressegurador embora a prática seja questionável sob a ótica de mercado. No ano, as ações do IRB acumulam queda de 14,18%.

O ressegurador engrenou numa derrocada na Bolsa após uma carta da gestora Squadra apontar inconsistências nos números da companhia, em fevereiro do ano passado. Na sequência, um caso envolvendo a Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffett, só fez piorar a situação, depois de os diretores demitidos do IRB terem espalhado a informação de que a companhia norte-americana teria aumentado sua participação societária no IRB, o que foi negado posteriormente.

No meio do caminho, o IRB sofreu fiscalização especial da Superintendência de Seguros Privados (Susep), que cobrava ajuste em seus ativos garantidores. Para supri-lo, foi necessária uma injeção de capital de mais de R$ 2 bilhões, com os sócios Bradesco e Itaú injetando cerca de R$ 600 milhões.

O IRB também teve seus resultados afetados, o que ocasionou em prejuízos trimestrais seguidos enquanto a nova gestão ajustava a casa. No quarto trimestre, entretanto, já é esperada a virada. O BTG Pactual, por exemplo, prevê lucro líquido de R$ 43 milhões para o ressegurador no período. (Com Broadcast/Agência Estado)



Placa na sede do IRB Brasil