Vacina, auxílio e regime fiscal vão determinar crescimento do Brasil em 2021, diz economista

Foto: Reuters / Adriano Machado
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De acordo com relatório divulgado na quinta-feira (7) pelo banco BNP Paribas, o país terá crescimento do Produto Interno Bruto de 3% neste ano, menor do que os 3,6% projetados para o conjunto das economias da América Latina.

Para o economista Marco Rocha, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a previsão da instituição é até "bem otimista".

O economista diz que, "à medida que o ano passa, muitas vezes esses números são revistos para baixo". Para ele, a projeção de crescimento deve ficar em torno de 2,5%.

"Esse nível de crescimento é muito baixo, meramente estatístico. Grande parte disso é um efeito matemático. Quando se vem de uma base muito deprimida, de uma contração grande, é fácil se obter esse índice de crescimento, que, aparentemente, pode até parecer um espetáculo", afirmou Rocha em entrevista à agência de notícias Sputnik Brasil.

Auxílio terá 'impacto significativo'

As projeções para a queda do PIB em 2020 giram em torno de 4,5% e 5%. Segundo o relatório do Banco BNP Paribas, um dos principais fatores que vai influenciar a atividade econômica é a provável suspensão do pagamento do auxílio emergencial durante a pandemia da covid-19.

O professor da Unicamp também considera a concessão de algum tipo de renda básica fundamental para o crescimento econômico do Brasil em 2021. Rocha afirma que, em 2020, o auxílio já teve um impacto entre 2,5% e 3% no PIB, evitando uma recessão ainda maior.

"Se tivermos um programa de transferência desse patamar, óbvio que vai ter um impacto significativo em 2021. Ou pelo menos uma ampliação significativa do Bolsa Família. No entanto, pelo que está posto na mesa, isso está suspenso. São fatores de ordem política que dificultam muito se fazer uma previsão de crescimento", argumentou o especialista.

Quanto mais rápido vacinar, melhor
Além do auxílio, Rocha afirma que a vacinação também terá grande influência na expectativa de atividade econômica neste ano.

"O desempenho do PIB vai depender principalmente de instrumentos de enfrentamento da pandemia: o ritmo de crescimento dependerá da velocidade da vacinação. Quanto mais rápido ela acontecer, mais rápido poderemos ter uma retomada da atividade econômica", avaliou.

Teto de gastos
Rocha também cita a flexibilização do regime fiscal, que depende da prorrogação do estado de calamidade no país, como uma medida importante para a economia brasileira em 2021, tendo em vista que a vacinação ainda não começou no país e houve aumento de casos do coronavírus.

"Uma nova flexibilização do regime será importante para termos condições de enfrentar o cenário de pandemia, que é bem crítico. Isso permitirá um aumento dos gastos, o que vai ter impacto sobre o crescimento. Mas também não há sinalização disso. Sem a flexibilização, o país pode entrar em colapso", alertou o professor.

Alta das commodities
Em relação ao crescimento maior do conjunto da América Latina, Rocha afirma que a alta dos preços das commodities impactam mais a economia dos outros países da região. A previsão de crescimento do BNP Paribas para Argentina, Chile e Colômbia é de 5%.

"O aumento do preço das commodities tem um peso maior no crescimento de países como Colômbia e Argentina. A economia do Brasil é mais diversificada e essa alta não é capaz de gerar um crescimento tão grande", disse Marco Rocha. (com agência Sputnik Brasil)