Covid-19 reduz produção da Petrobras em 13,5%

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Sede da Petrobras no Rio de Janeiro (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)

A Petrobras produziu 2,320 milhões de barris-dia de petróleo no 1º trimestre, um aumento de 17,7% em relação a igual período de 2019, mas já com uma redução de 3,1% frente ao 4º trimestre do ano passado, devido às primeiras paradas iniciadas em março. Com a decisão de evitar excesso de produção, diante da retração da demanda doméstica e mundial, após o Covid-19, a meta de produção da Petrobras de 2,007 milhões de barris-dia vai representar uma queda de 13,5% frente aos números do 1º trimestre e uma queda de 16,1% frente ao resultado do último trimestre do ano passado.

De acordo com os resultados de produção e desempenho operacional no 1º trimestre divulgado nesta segunda-feira, 27 de abril, pela Petrobras, praticamente a redução de cerca de 350 mil barris-dia na produção de petróleo só deve poupar a área do pré-sal, que tem custos operacionais ao recorde de US$ 7 por barril e pode suportar a queda atual do barril do Brent para a faixa de US$ 23 (contratos para entrega em junho). No trimestre a estatal extraiu do pré-sal a média 1,543 milhão de b/d, respondendo pelo recorde de 66,5% da produção nacional. Os resultados financeiros serão divulgados dia 14 de maio.

A produção total de óleo, LGN e gás natural foi de 2,909 milhões de barris de petróleo equivalentes/dia, uma redução de 3,8% em relação ao 4°T19, devido, principalmente, às vendas de 50% do campo de Tartaruga Verde e da participação societária da Petrobras Oil & Gas B.V., pondo fim às operações na África. O impacto dos desinvestimentos na produção do trimestre foi de, aproximadamente, 84 mil b/d. Em comparação ao 1T19, houve aumento de 14,6%, devido ao ramp-up dos sete sistemas que entraram em produção em 2018 e 2019 no pré-sal da Bacia de Santos, nos campos de Búzios (P-74, P-75, P-76 e P-77, que já atingiram a capacidade de produção projetada), Lula (P-67 e P-69) e Berbigão/Sururu (P-68).

As áreas de terra e de águas rasas, onde os custos são mais elevados e que já vinham sendo objeto de desinvestimentos da estatal, mostram forte declínio da produção antes mesmo dos cortes gerados pela Covid-19. A produção de óleo nos campos terrestres somou 114 mil barris/dia (queda de 6,6% no trimestre e de 11,6% frente a igual período de 2019). A produção de 43 mil barris/d de óleo em águas rasas, teve redução de 27,1% frente ao 4º trimestre em função das paradas para manutenção de plataformas nos campos de Enchova, Cherne Pampo, na Bacia de Campos. Frente a igual período de 2019, a queda chega a 43,5%, com as paradas já citadas e o desinvestimento do Polo Pargo.

A opção da atual direção da Petrobras de concentrar as operações nos maiores campos de águas profundas e ultra profundas se mostrou acertada na crise de super-oferta e baixa de preços do barril. A produção de óleo do pós-sal em águas profundas e ultraprofundas no 1T20 foi 8,8% inferior ao trimestre anterior, devido, à venda de 50% do campo de Tartaruga Verde. Na comparação com o 1T19, a redução foi de 15,1%.

Em virtude do novo cenário do mercado de petróleo, a Petrobras decidiu pela hibernação de 62 plataformas, em campos de águas rasas que estão em processo de desinvestimento, representando uma redução de 23 mil barris/dia, além de restrição adicional temporária de 100 Mbpd. Para o 2º semestre, a companhia prevê paradas que vão reduzir a produção em 200 mil barris/dia.