Spreads bancários vão ter que cair, diz Guedes

O governo está abrindo o setor bancário para competição e pretende reduzir e simplificar impostos, afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta quinta-feira, frisando que os spreads dos bancos "vão ter que cair".

"A competição bancária está aumentando não só pelas fintechs, que é a competição que vem do futuro, mas tem a do passado também, as empresas simples de crédito", disse Guedes. "Isso tudo vai começar a comprimir os spreads", acrescentou, em referência à diferença do custo de captação das instituições e as taxas de juros cobradas dos clientes no crédito.

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Ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Ao participar do Brasil Investment Forum 2019, evento promovido pelo governo em São Paulo, Guedes disse que os bancos públicos estão sendo desalavancados e que o BNDES vai se desfazer de suas ações e focar sua atuação em saneamento, privatizações, concessões e reestruturação financeira de Estados e municípios.

"Para que que um banco público tem que ficar com carteira de ações? Só para manter um portfólio grande e poder pagar salários altos para todo mundo, privilégios, benefícios? Tá errado", disse Guedes. "Ele tem que vender isso e devolver o que está devendo para o Brasil, porque alavancaram os bancos para fazer favores para empresas companheiras e o banco agora tem que reduzir isso e devolver, e é o que está fazendo, começa a devolver."

REFORMAS

O ministro reiterou que, uma vez aprovada a reforma da Previdência, o governo vai encaminhar ao Congresso parte da reforma tributária --que irá à Câmara dos Deputados-- e o pacto federativo --para o Senado.

Ele ressaltou que a proposta do governo para a reforma tributária prevê a implantação de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) federal, sem imposição de adesão de Estados e municípios, e uma reformulação do Imposto de Renda.

O objetivo da criação de um imposto sobre transações era viabilizar a desoneração da folha de pagamentos, disse o ministro, reconhecendo que a ideia "não foi recebida".

"Agora fica a pergunta, o que sugerem para viabilizar a desoneração da folha?"

O Executivo também vai encaminhar uma reforma administrativa, disse Guedes, destacando que o governo quer "atacar" as despesas da máquina pública e que, nesse processo, será pedido "sacrifício" aos servidores públicos. Ele criticou o fato de algumas carreiras públicas começarem com salários muito elevados e oferecerem progressão automática.

Sem entrar em detalhes, o ministro disse, ainda, que não está satisfeito com o ritmo das privatizações e que é preciso criar um "fast track" para acelerar o processo. (Reuters)