Ibovespa fecha em baixa puxado por bancos e Petrobras

O Ibovespa fechou em leve queda nesta segunda-feira, com o viés positivo das bolsas no exterior ofuscado pela queda dos papéis de bancos e da Petrobras, após detalhamento da oferta de venda papéis da empresa detidos pela Caixa Econômica Federal.

Principal índice do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,36%, a 97.466,69 pontos. O giro financeiro do pregão alcançou 11,1 bilhões de reais.

Ruídos políticos envolvendo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, repercutiram nas mesas de negociações nos primeiros negócios, mas a percepção no mercado de que a questão deve ficar restrita à pasta aliviou a pressão vendedora ao longo da sessão.

No pior momento o Ibovespa caiu 1%, abaixo de 97 mil pontos.

O noticiário relacionado a Moro, por ora, "parece ter impactado mais o próprio ministro e sua pauta do que o andamento das reformas em si", observou Pedro Menezes, membro do comitê de investimento de ações e sócio da Occam Brasil Gestão de Recursos, no Rio de Janeiro.

Em Brasília, parlamentares admitiram que o caso da suposta colaboração entre o então juiz Sergio Moro --hoje ministro-- e os procuradores da operação Lava Jato pode tumultuar o Congresso em meio à tramitação da reforma da Previdência, mas garantem que o projeto é importante e será blindado.

Ainda assim, Brasília promete ocupar as atenções esta semana. Além de esperada apresentação do relatório da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara, a Comissão Mista do Orçamento pode votar projeto de lei que dá ao governo crédito suplementar para pagar despesas fora da chamada regra de ouro.

No exterior, Wall Street fechou com os principais índices acionários no azul, após decisão dos Estados Unidos de suspender a imposição de tarifas em produtos mexicanos.

DESTAQUES

- BRADESCO PN recuou 1,18% e ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 1,25%, após três semanas seguidas de alta, em meio a receios quanto a eventual aumento da alíquota de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no setor e de o Goldman Sachs recomendar a venda das ações dos dois bancos. BANCO DO BRASIL cedeu 0,94%.

- PETROBRAS ON encerrou em baixa de 1,68%, tendo no radar prospecto preliminar com oferta secundária de 241,34 milhões de ações detidas pela Caixa Econômica Federal, além da fraqueza dos preços do petróleo no exterior. PETROBRAS PN teve variação negativa de 0,41%.

- CEMIG PN cedeu 2,97%. Segundo o jornal O Estado de Minas, deputados à frente dos blocos que detêm a maioria na Assembleia Legislativa de MG criticaram a imposição do Tesouro Nacional de privatizar a Cemig e o congelamento de salários.

- CIELO recuou 1,94%, com analistas do Goldman Sachs adotando recomendação 'neutra' para os papéis, com preço-alvo de 7 reais, conforme veem o ambiente de competição mais intenso no setor de pagamentos ainda afetando os resultados da empresa em 2019 e 2020, mas avaliam que a maior parte do fraco desempenho operacional já está no preço.

- BRF avançou 3,98%, tendo de pano de fundo que as exportações de carne suína do Brasil para a China cresceram 51% em maio. No setor de proteínas, entre as ações listadas no Ibovespa, JBS valorizou-se 1,71% e Marfrig ganhou 0,15%.

- CSN subiu 3,92%, entre as maiores altas. Investidores monitoram potencial acordo para assinatura de contrato de streaming de minério de ferro da companhia, além das negociações de venda da usina da CSN na Alemanha, SWT. Entre as siderúrgicas, USIMINAS fechou com elevação de 1,16% e GERDAU PN mostrou acréscimo de 1,8%.

- GOL valorizou-se 2,97%, tendo de pano de fundo relatório do Morgan Stanley elevando a recomendação dos ADRs da companhia aérea para 'overweight'. O preço-alvo subiu de 14,50 para 18 dólares. AZUL, que também teve o preço-alvo do ADR elevado e é considerada favorita no setor, subiu 1,01%. Investidores também continuam atentos aos desdobramentos relacionados à recuperação judicial da Avianca Brasil.

- HAPVIDA, que não está no Ibovespa, avançou 3,43%, após anunciar acordo para a aquisição do rival Grupo América por 426 milhões de reais, em uma agressiva estratégia de aquisição para crescer e expandir geograficamente.

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