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Economia

Ibovespa tem leve alta com otimismo sobre Previdência compensando aversão a risco no exterior

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SÃO PAULO, 31 Mai (Reuters) - A bolsa paulista mostrava leve alta nesta sexta-feira, com otimismo sobre aprovação da reforma da Previdência compensando maior aversão a ativos de risco no exterior, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar na véspera que pretende impor tarifas sobre produtos mexicanos.

Às 11:26, o Ibovespa subia 0,42%, a 97.869,62 pontos. O volume financeiro era de 4,04 bilhões de reais.

As preocupações sobre a saúde da economia global se intensificaram, após Trump prometer na quinta-feira impor tarifas a todos os produtos importados do México. Segundo ele, as tarifas vão começar em 5% e ficarão cada vez mais altas até que o país consiga interromper o fluxo de imigrantes para os EUA. O anúncio agitou os mercados externos, que operavam em queda.

"Não era esperado que o Trump fosse abrir um novo front de ataque comercial, já que ele já está envolvido numa disputa acirrada com a China. Isso aumenta a incerteza em relação a tudo, já que ninguém tem muita ideia do que ele é capaz", afirmou o analista da Guide Investimentos Victor Beyruti.

No entanto, o Ibovespa operava em leve alta, com investidores se mantendo otimistas diante do discurso alinhado dos líderes do governo brasileiro e do Congresso sobre o andamento das pautas econômicas.

"Mesmo sem muitas novidades sobre o assunto, o mercado segue acreditando em uma melhora na economia após a aprovação da reforma da Previdência", acrescentou Beyruti.

Na terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro firmou um acordo com os presidentes das Casas do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) em torno de projetos considerados importantes pelo governo para retomada do crescimento. Um documento está sendo preparado pela Casa Civil em cima de um texto organizado pelo presidente STF, Dias Toffoli, e deve ser formalizado em uma cerimônia até 10 de junho, no Palácio do Planalto.

DESTAQUES

- BRF recuava 1,17%, enquanto MARFRIG avançava 2,5%, após empresas anunciarem na véspera o início de discussões para uma possível fusão, abrindo caminho para formar um dos maiores grupos de carne do mundo. A composição acionária pode deixar atuais acionistas da BRF com 84,98% da nova empresa, enquanto os 15,02% restantes serão da Marfrig.

- PETROBRAS PN caía 0,8% e PETROBRAS ON recuava 0,55%, em linha com a forte queda nos preços do petróleo no exterior. A estatal confirmou na quinta-feira que o processo de desinvestimento nos campos de petróleo de Pampo e Enchova, no litoral do Rio de Janeiro, está em fase de apresentação de ofertas finais, mas não apontou em comunicado valores ou comprador.

- FLEURY tinha baixa de 1,2%, após grupo concluir a aquisição do controlador da rede de laboratórios Lafe por 170 milhões de reais em dinheiro.

- ITAÚ UNIBANCO PN subia 0,7%, enquanto BRADESCO PN avançava 0,35%. Na véspera, o Itaú Unibanco informou que seu conselho de administração aprovou um novo programa de recompra que pode envolver até 90 milhões de ações. Esse total pode envolver até 15 milhões de ações ordinárias e até 75 milhões de papéis preferenciais. O prazo do programa começa nesta sexta-feira e vai até 30 de novembro de 2020.

- VALE subia 1,7%, apesar da queda dos preços do minério de ferro na China, causada por preocupação de investidores com uma sobreoferta do produto.

- BRASKEM tinha queda de 0,3 por cento. A Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU) assinaram na manhã desta sexta-feira o acordo de leniência com a companhia, investigada no âmbito da Operação Lava Jato. A petroquímica havia informado na segunda-feira ter concluído as tratativas para o acordo com CGU e AGU, o que resultará em um desembolso adicional de 410 milhões de reais.

(Por Stefani Inouye. Edição Alberto Alerigi Jr.)