CVM cobra do BB informações sobre interferências de Bolsonaro

As trapalhadas do presidente Jair Bolsonaro, que se intrometeu na campanha publicitária do Banco do Brasil voltada para a diversidade para atrair público mais jovens ao seu universo atual de 63 milhões de clientes, concentrada em faixa etária mais elevada, levaram a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o xerife do mercado de capitais, a cobrar hoje explicações ao diretor de Relações com Investidores do BB, Carlos Hamilton Viana sobre a veracidade da demissão do Diretor de Comunicação e Marketing, Delano de Andrade. 

O pedido da CVM foi dirigido pelo Superintendente de Relações com Empresas, Fernando Soares Vieira, que indagou da veracidade das notícias da demissão e, em caso afirmativo, por que o BB, que é uma sociedade anônima com ações em Bolsa, “entendeu a demissão do diretor citado não se tratar de fato relevante, bem como comente outras informações consideradas importantes sobre o tema”. 

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Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

No comunicado, a CVM lembra ainda “do dever de lealdade do administrador previsto no art. 155 da Lei nº 6.404/76, assim como da obrigação do Diretor de Relações com Investidores disposta no parágrafo único do art. 4º da Instrução CVM nº 358/02, de inquirir os administradores e acionistas controladores da Companhia, bem como todas as demais pessoas com acesso a atos ou fatos relevantes, com o objetivo de averiguar se estes teriam conhecimento de informações que deveriam ser divulgadas ao mercado”.

Em resposta, Carlos Hamilton, Diretor de Relações com Investidores explicou que “o Diretor de Comunicação e Marketing, Delano Valentim de Andrade, foi autorizado a ausentar-se por interesse particular, até o dia 09.05.2019, nos termos do artigo 26, inciso I, do Estatuto Social do Banco do Brasil S.A. (BB)”.

O BB conclui na nota seu “compromisso com a transparência e assegura que fatos julgados relevantes serão prontamente divulgados ao mercado, em conformidade com a Instrução CVM 358/2002”.

Petrobras

Na interferência do presidente Bolsonaro que mandou suspender o reajuste de 5,7% no litro do óleo diesel nas refinarias, no dia 11de abril, não se tem notícia de cobrança semelhante da CVM. Pelo menos, se houve, a Petrobras não divulgou em comunicado ao mercado ou fato relevante, como fez agora o BB.