Renault tem 'sérias dúvidas' sobre milhões gastos sob gestão de Ghosn

Uma auditoria conduzida em uma subsidiária da Renault e Nissan na Holanda, lançada após a prisão de Carlos Ghosn no Japão, levantou "sérias dúvidas" sobre vários milhões de euros de despesas, disse a Renault em um comunicado nesta quarta-feira.

A auditoria desta subsidiária conjunta RNBV "revela sérias deficiências nos procedimentos de transparência financeira e controle de custos", disse a montadora após uma reunião do conselho administrativo.

O ex-presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, foi detido em 19 de novembro e está em prisão domiciliar no Japão depois de passar mais de 100 dias na prisão em Tóquio, acusado de crime fiscal e de abuso de confiança.

O executivo franco-brasileiro-libanês declara-se inocente de todas as acusações e anunciou que fará uma entrevista coletiva em 11 de abril.

De acordo com esta recente auditoria, houve despesas de marketing em Omã que foram atribuídas à presidência do grupo em Paris, quando este tipo de desembolsos deve constar nos orçamentos regionais do grupo.

Outro tipo de fluxo financeiro semelhante foi detectado na Nissan.

A Renault também abriu outro procedimento interno para reduzir ao máximo os benefícios de aposentadoria de Ghosn.

O grupo francês reconheceu que "a remuneração fixa de Carlos Ghosn para os resultados do exercício de 2018 foi de 1 milhão de euros brutos".

O montante variável, que depende das metas alcançadas por Ghosn, seria de 224.000 euros, mas o conselho administrativo recomendará aos acionistas que não aprovem.

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